“Temos uma causa e nela está a nossa força” – entrevista com Frei Sérgio Görgen

Foto da capa do livro onde a entrevista foi publicada em sua origem.

Foto da capa do livro onde a entrevista foi publicada em sua origem.

“Sempre foi assim, primeiro tentam nos desqualificar, depois criminalizar. Mas apesar de tudo que já nos fizeram, seguimos em frente, firmes, porque temos uma causa e nela está a nossa força.”

FREI SERGIO ANTONIO GÖRGEN

Temos uma causa e nela está a nossa força

Cláudia Herte de Moraes1

Marcos Antonio Corbari2

 

Sua história de vida se confunde com a história dos movimentos sociais no Brasil, em especial os camponeses. O menino que já muito jovem sofreu com a violência de classe, aprendeu a ser um peleador e, mais tarde, levou a luta social para dentro da Igreja e também a Igreja até a linha de frente da luta social. Frei Sérgio Antônio Görgen anda junto com o povo camponês, tanto dos que empreendem a luta para ter um pedaço de terra para plantar e abrigam-se sob a bandeira do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), quanto dos camponeses que enfrentam a lógica nociva do agronegócio produzindo diariamente comida sem veneno em pequenas unidades produtivas, estes abrigados sob a bandeira do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). Desconsidera o rótulo de líder, não aceita a referência nem no campo espiritual, nem no campo político. Suas palavras reproduzem sonhos, esperanças, projetos, perspectivas de uma coletividade que nunca se furtou a estar na vanguarda das lutas populares, avançando contra forças desiguais e construindo conquistas que geram benefícios a toda sociedade brasileira. Para enfrentar o preconceito e a criminalização dos movimentos nas mídias, propõe uma aliança popular, a resistência e a construção de uma nova sociedade. Vamos conferir o que nos conta este lutador popular, franciscano por vocação, camponês por vinculação, socialista por convicção.

Qual o papel dos Movimentos Sociais na atualidade? Houve mudanças nos últimos tempos? Cite exemplos.

No Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) estamos chegando a 20 anos de organização e luta num dos momentos mais críticos da história brasileira. E uma crise política, mas é também uma crise do sistema político, com a elite burguesa que retoma o poder de qualquer forma, a qualquer custo. Isso ameaça os direitos conquistados ao longo do tempo e a própria democracia.

Nosso papel, como movimento de luta pelos direitos e pela identidade dos camponeses, e construir a resistência a partir da base.

Relembrando, temos como elementos fundamentais para o nascimento do MPA a crise do modelo sindical rural e seca no sul do Brasil, com seu ápice em meados da década de 90.

Nascemos a beira de estradas, pela sobrevivência de pequenos agricultores que foram banidos das terras. Em 1996, no auge do governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso, conseguimos mobilizar e conquistar o Cheque Seca. Nos anos seguintes, com mobilizações e greves de fome conquistamos o Pronafinho e o Pronafinho Investimento. Começamos a luta pelo credito moradia, e as primeiras foram construídas em 2002. A partir de 2003 trabalhamos conjuntamente na construção e implantação do Programa de Aquisição de Alimento – PAA do Governo Federal, que tinha como meta enfrentar a situação de fome e miséria no Brasil. Infelizmente, vimos recentemente a criminalização deste projeto, com a prisão injusta de vários camponeses, neste cenário que se construiu após a implantação do golpe jurídico-parlamentar de 2016.

Voltando aos anos 2004, a ampliação do credito e o seguro agrícola melhoraram as condições de trabalho e renda do camponês. Depois vieram os projetos de sementes crioulas, com assistência técnica. Um marco importante para o MPA e para todo o povo brasileiro foi o anuncio da saída do Brasil do Mapa da Fome da ONU, em 2014. As conquistas do nosso movimento são também conquistas dos governos populares, que ajudamos a construir. Como um movimento nacional,

articulado em 19 estados do Brasil, inicialmente tivemos a luta pelo credito, mas ela se transformou na luta por direitos, por políticas públicas na área da agricultura, também na educação, na moradia, na saúde, na defesa de semestres crioulas. E na defesa de um modelo de produção camponesa que nos afirmamos na luta diária. O golpe de 2016 tem continuidade contra o povo brasileiro com objetivo de dominar os mais pobres, inibir a participação popular, cortar os direitos trabalhistas e de aposentadoria, privatizar educação, saúde, terra, agua. E tudo isso com repressão as forças populares. Acredito que o momento pede ainda maior organização, mobilização e resistência.

O grande dilema do Brasil neste momento e esse embate em que os movimentos sociais estão misturados, disputando. Os movimentos do campo não são uma novidade no Brasil, que surgem com a luta dos sertanejos, em Canudos (no final do século XIX), quando foram massacrados e ressurgem nos anos 50/60 do século XX com as Ligas Camponesas, e voltam a se manifestar depois da ditadura até hoje como uma forca popular importante. Continuam sendo criminalizados e massacrados, mas são o fator visível de que a história não regrediu. Hoje o campesinato se recusa ao papel de se aliar a burguesia para ajudar a história a regredir. E um papel novo e todos tem protagonismo.

Como os Movimentos Sociais são noticiados pela imprensa do seu país? Há

diferenças entre os veículos? Cite exemplos.

A criminalização dos movimentos acontece pela linguagem, com os estereótipos. Por exemplo, muitas vezes falam dos acampamentos do MST como favela, para trazer a imagem de gente faminta, de alcoolismo, criminalidade, drogas, de miséria e vidas degradadas. Esse preconceito acontece contra as favelas urbanas também. A mídia no Brasil passa a ideia de que os acampamentos são favelas rurais. Com apoio do lobby latifundiário, de políticos e governantes, os meios de comunicação repetem esta mentira para fazer crer que seja verdadeira. Eu vivo nos acampamentos porque escolhi lutar pela reforma agraria e pela melhoria das condições de vida no campo. Essa convivência nos movimentos sociais e lutas e feita de forma solidaria. A luta pela terra fez surgir no Brasil um sujeito histórico coletivo e poderoso, o MST. Mas a elite e os latifundiários querem destruir tudo isso, então alimentam a desinformação e o preconceito contra os movimentos camponeses. Sempre foi assim, primeiro tentam nos desqualificar, depois criminalizar. Mas apesar de tudo que já nos fizeram, seguimos em frente, firmes, porque temos uma causa e nela está a nossa forca.

De alguma forma a imprensa do seu país contribui para a construção de uma

imagem estereotipada dos Movimentos Sociais? Cite exemplos.

Sim. Os meios de comunicação, os instrumentos de construção simbólica, são instrumentos estratégicos na mão da classe dominante. Elas são a criação de símbolos universalizados, que controlam a população através das ideias, criminalizam as ações que poderão ser práticas de oposição ao capitalismo e justificam a violência que talvez venha a ser necessária para impedir que os pobres se rebelem contra o sistema presente. O maior erro que os movimentos sociais e a esquerda podem cometer e quando não combatem esse modelo de comunicação e quando abdicamos do debate e da batalha simbólica, a batalha das ideias, porque ela e importante.

Os movimentos sociais sofreram muito na mídia nos últimos anos. Passam por um bombardeio, as pessoas estão todas arrebentadas, mas continuam em pe. Acredito que a estrutura que nos sustenta e a autenticidade da causa e enquanto isso se mantiver, teremos forca. O segredo e a causa, a forca humanitária da causa. A generosidade da causa. O grau de aderência com as aspirações mais profundas das pessoas. Isso faz com que adversários te respeitem. Podemos perder tudo, mas não podemos perder o núcleo duro dessa generosidade e autenticidade da causa. Nunca teremos uma coerência completa sobre os bons propósitos que sempre temos.

Temos muitas incoerências, mas o que deturpa uma causa e a traição, e abandonar a causa. Se entrou para defender uma causa ela não morre. Pode morrer aparentemente, mas renasce depois. Eu tinha muita dificuldade em acreditar na ressurreição, mas a vida nos movimentos sociais, seu renascer permanente, apesar das perseguições e mortes, me fez acreditar que a ressurreição e essência da vida, a forca interior permanente que move as grandes e nobres causas em favor da vida.

Consegue identificar as vinculações políticas e ideológicas dos principais veículos de comunicação do seu país? Cite exemplos. Quais as consequências dessas vinculações para as reivindicações dos Movimentos Sociais?

Vou citar os casos do Rio Grande do Sul, que conheço mais. Em relação aos veículos do pais, pelo fato de morar no interior a maior parte da minha vida, o acesso aos veículos nacionais, com exceção da TV, sempre foi muito precário. Só muito recentemente com a internet, e que este acesso se tornou possível. E quanto a TV, rarissimamente assisto, então, também, tenho pouco a dizer sobre a Globo e seu Jornal dito nacional, pelo fato de pouco assisti-lo há muito tempo. Radio, também, quase nada ouço. Então o que posso citar são os jornais Correio do Povo e o Zero Hora, os quais tenho acompanhado de maneira assídua em todo o tempo de minha militância, mais de 35 anos.

Vi o Correio sempre alinhado com a defesa doutrinaria, ferrenha e intransigente da propriedade privada rural, como princípio e o ataque virulento a qualquer tipo de ameaça a mesma. Durante muito tempo os veículos da Companhia Jornalística Caldas Junior – na década de 80 do século passado eram três: Folha da Manhã, Folha da Tarde e Correio do Povo, hoje só restando este último – eram o principal instrumento de ataque e criminalização do Movimento dos Sem Terra, das ocupações de terra ou de qualquer tipo de mobilização, dando voz aos porta-vozes do latifúndio e negando espaço ou mostrando aspectos negativos dos movimentos por Reforma Agraria.

A mudança de donos, com a falência da família Caldas e a aquisição da empresa por Renato Ribeiro, houve uma pequena mudança de inflexão, passando a defender o empresariado rural moderno e não a propriedade privada em si. A família Caldas era latifundiária, num modelo atrasado de exploração agrícola enquanto Renato Ribeiro era proprietário de uma empresa agrícola moderna (Incobrasa). Com a saída de Ribeiro do controle da empresa e a assunção do Grupo Record (do Bispo Macedo), talvez por seu perfil mais urbano e menor ligação direta com a mundo rural, há mais espaço para opiniões diversas em relação ao tema.

Já o jornal Zero Hora teve nos anos 80 do século passado uma política de visibilização das lutas pela terra no Rio Grande do Sul, defendendo a propriedade privada, sim, mas dando grande espaço as lutas, aos acampamentos, as ocupações e abrigando em seus quadros jornalistas simpáticos as lutas no campo e dando-lhes espaço para reportagens simpáticas a luta.

A partir da metade dos anos 1990, o Zero Hora mudou de posição passando a uma política também de criminalização das lutas camponesas em si e de diversas formas, mas com uma forma especial e perversa: reportagens sobre aspectos em que os Movimentos mostravam fragilidades.

Exemplo: destaque as dissidências, magnificação de problemas internos, destaque a pessoas com problemas policiais presentes em acampamentos, insatisfações populares em relação as mobilizações.

A avaliação que faço e que os proprietários do Zero Hora, que tinham uma visão de necessidade de modernização do campo, muito atrasado em termos de tecnologia e uso da terra nos anos 1980, estimularam os Movimentos por Reforma Agraria como forma de pressionar o latifúndio atrasado a se modernizar para não perder suas propriedades, já que o latifúndio improdutivo e que poderia ser desapropriado. Quando este objetivo foi alcançado em meado dos anos 90, o Zero Hora mudou sua linha editorial.

Qual a importância da imprensa para os Movimentos Sociais e quais as estratégias de comunicação possíveis de serem adotadas para dialogar diretamente com a sociedade? Cite exemplos.

Precisamos pensar em construir um sistema de comunicação que seja libertacionista, popular, para o povo. O povo pode se apropriar dessas mídias para falar. Precisa haver uma ética diferente, que não seja utilitarista. Sempre defendi que os movimentos sociais tivessem uma capacidade para não dependerem da mídia, que não precisem dela para defender suas ideias, sua imagem ou seu símbolo.

A comunicação e muito importante e por isso na nossa proposta, que foi construída nacionalmente, na qual montamos as prioridades do movimento, também pensamos os métodos de comunicação. Mas uma das formas prioritárias de diálogo com a sociedade está na afirmação dos camponeses como sujeitos da história: cultivamos uma identidade, um modo de viver, de ser e de querer o mundo.

Então, o diálogo com a sociedade está presente no Plano Camponês, que manifesta seis soberanias. Temos a soberania territorial, no controle dos camponeses sobre a terra e o território, o espaço para produção e vivencia, convivência, existência, em defesa da natureza. Essa e a primeira soberania, talvez a mais importante. Depois a soberania alimentar: produzir alimentos de qualidade, suficientes a toda população, variados e ricos em nutrientes, sabor e consistência, que sirvam ao mesmo tempo para alimentar o ser humano e também dar qualidade de vida e boa saúde. Na soberania hídrica está expressa na luta pela agua de todos e para todos, acesso da água como direito fundamental. São os camponeses que podem garantir a agua de qualidade para a cidade, porque se são os rios que abastecem os grandes centros, são as aguas que percorrem os campos e depois vão para os rios, se forem aguas contaminadas, o povo da cidade vai consumir agua contaminada. Agua para consumo humano, para consumo dos animais e agua para produção de alimentos.

Na soberania genética temos os temas do controle das sementes, das mudas, das raças animais, porque hoje o controle genético de sementes e mudas agrícolas está na mão de multinacionais, não está nem mais na mão nem dos estados nem dos agricultores. A soberania energética busca a produção de energia própria, energia suficiente para o seu consumo e em equilíbrio com a relação sustentável com a natureza. Passa pelas várias fontes de energia disponíveis que temos.

Por fim, a soberania do saber: cabe ao povo camponês ter o domínio sobre os saberes necessários para sua própria existência e para sua previsão de futuro. Saberes estratégicos, que ajudem a sobreviver, a viver, a produzir alimentos, conviver com a natureza, conviver entre si, também capazes de proporcionar uma visão de futuro, de preservar os recursos naturais e patrimônio cultural para as futuras gerações. Um saber fazer, saber criar, saber olhar e resgatar a sabedoria popular para que seja respeitada e reconhecida e transformada em saber estratégico para o futuro. Não ficamos esperando pela academia para construir a soberania do saber das comunidades camponesas.

Essas soberanias alicerçam um conjunto de ações, de práticas, de movimentação, de traduções em efeitos objetivos, da vida das comunidades, na classe, na disputa política. São a base para construir uma sociedade mais justa, soberana e fraterna. É evidente que essas soberanias só serão possíveis de viver de forma plena em uma sociedade socialista, porque uma sociedade capitalista prioriza o dominante, donos dos meios de produção, dos meios de informação e contra a maioria do povo. Somente com a quebra da sociedade capitalista conseguiremos construir a soberania plena do povo e uma sociedade que não seja movida pelo ter, mas sim pelo ser. Mas e possível ir dando passos concretos mesmo dentro da sociedade capitalista, abrindo espaços de transformação e consolidando posições dos oprimidos através de conquistas de suas lutas.

Hoje existe essa proposta de diálogo que o MPA apresenta como uma aliança camponesa e operária. O que pode ser dito sobre a aproximação do camponês com o trabalhador urbano?

Na verdade, essa aliança e defendida, promovida, discutida, debatida há muito tempo. Foi mote de partidos, de programas políticos, até para revoluções, mas raramente na história ela conseguiu se consolidar por várias razoes culturais, pela falsa oposição da cultura capitalista e burguesa com a do campo, uma falsa oposição entre campo e cidade e também de uma certa concepção de superioridade do operariado sobre o campesinato, por um acesso ao ensino maior do operariado ao campesinato.

O que tem de novo nessa proposta e que a recolocamos, agora com outros elementos. Primeiro elemento e a capacidade de propor um projeto que tenha laços comuns, entre operariado e campesinato. O segundo e o fato de um novo projeto de agricultura, de produzir outro tipo de alimento e de criar um elo entre o camponês e o trabalhador urbano, entre o camponês e o operário, onde o alimento e o projeto de vida fortalecem esses laços a partir da compreensão de que há uma interdependência entre os trabalhadores do campo e da cidade. Os laços de solidariedade são muito maiores do que os eventos de separação especialmente no Brasil, porque grande parte da classe operaria tem origem camponesa. Então o alimento está se transformando no principal ponto de ligação, principalmente porque no sistema capitalista de produção de alimentos a comida de qualidade não é destinada ao operariado. Os ricos da cidade, que promovem uma agricultura envenenada, não consomem o veneno que eles promovem, eles vão nas gondolas dos supermercados para consumir produto orgânico. Essas contradições que procuramos expor e consolidar na luta política, no acesso a comida saudável e no projeto de sociedade em que há uma nova união. Romper os limites, preconceitos e as separações que se construíram ao longo da história entre campo e cidade.

Vamos conseguir transformar isso num projeto real da sociedade? Não sei. Talvez não. Mas há chances de construir – e são muito maiores hoje na história do que em outras épocas. O que a gente já está fazendo hoje no Brasil – creio que em outras partes do mundo também -, está muito visível, está nos dando a impressão de que esse cimento vai colar.

Considerações finais

Minha experiência pessoal em relação as coberturas de imprensa tiveram aspectos diversos e, em certo sentido, contraditórios: vi jornalistas agindo de forma a salvar vidas em meio a conflitos de terra ao mesmo tempo em que vivenciei pessoalmente situações as quais, no dia seguinte, nas páginas dos jornais, o relato escrito aparecia contrário ou deturpador dos fatos acontecido, com distorções evidentes. Outro aspecto era a busca de fatos específicos com caráter sensacionalista que pudesse chamar a atenção do grande público. Em muitos casos o detalhe destacado se tornava mais importante que o conjunto e, na maioria dos casos, o detalhe sensacionalista vinha cercado de involucro negativo. Apesar disto, a mídia sempre teve suas contradições, as quais procurávamos aproveitar para passar nossas mensagens. Também fazer relação direta com a população e com as bases sociais e aproveitar ao máximo os espaços nas rádios do interior como forma de neutralizar os aspectos negativos da imprensa da capital. Acredito que a justeza da causa acabava se impondo ao longo do tempo com o trabalho formiga de comunicação direta, cartilhas, panfletos, uso de rádios locais acabava construindo na sociedade uma narrativa alternativa aquela da grande mídia. O impacto inicial era sempre profundamente negativo as lutas sociais, mas com o passar do tempo outra narrativa acabava se impondo e a simpatia as lutas crescia em amplos setores da sociedade.

1 Professora da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), doutora em Comunicação e Informação, líder do Grupo de Pesquisa Mediação – Educomunicação e Ambiente (CNPq), jornalista e professora com atuação nos temas da comunicação, cidadania e movimentos sociais. E-mail: chmoraes@gmail.com

2 Jornalista pela UFSM, mestrando em Letras – Literatura Comparada pela URI. Atua como comunicador popular e voluntário no Coletivo de Comunicação do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). E-mail: corbari.marcos@gmail.com

 

* Agradecemos a estudante Letícia Stasiak (UFSM) pela degravação dos áudios desta entrevista.