13 de março de 2026

Fundação BB e BNDES celebrarão, neste sábado (14), em Seberi (RS), parceria com a Cooperbio e o Instituto Cultural Padre Josimo, ambas organizações vinculadas à base do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA)
Marcos Antonio Corbari / MPA Brasil
Duas iniciativas voltadas ao fortalecimento da agroecologia e da produção de alimentos saudáveis no Rio Grande do Sul receberão mais de R$ 4 milhões em investimentos por meio de convênios assinados no dia 6 de março entre a Fundação Banco do Brasil (Fundação BB) e organizações da agricultura familiar camponesa vinculadas ao Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA).
Os convênios foram firmados com a Cooperativa Mista de Produção, Industrialização e Comercialização de Biocombustíveis do Brasil (Cooperbio) e com o Instituto Cultural Padre Josimo (ICPJ). A solenização pública das parcerias será realizada no dia 14 de março, durante a 9ª Festa da Semente Crioula e 4ª Feira da Economia Solidária da Cooperbio, em Seberi, no norte do Rio Grande do Sul.
A cerimônia contará com a presença do presidente da Fundação Banco do Brasil, André Castelo Branco Machado, que virá de Brasília para participar do evento e de representante do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES e oficializar a assinatura dos convênios junto às organizações parceiras. Outras autoridades vinculadas ao Governo Federal também foram convidadas, bem como deputados federais e estaduais, e ainda lideranças locais e regionais.
Apoio à produção de alimentos saudáveis e à economia camponesa
O convênio firmado com a Cooperbio, presidida por Luiza Pigozzi, prevê investimento de R$ 1,8 milhão no projeto “Ecoforte Redes: Estruturação e Fortalecimento da Rede Alimergia”. A iniciativa busca ampliar práticas de manejo sustentável da sociobiodiversidade e fortalecer sistemas produtivos orgânicos e agroecológicos na região.
Já o convênio com o Instituto Cultural Padre Josimo, que tem como novo coordenador o frade capuchinho Wilson Zanatta, destina R$ 2,35 milhões ao projeto “Ecoforte Redes – Estruturação e Fortalecimento da Rede Camponesa de Agroecologia (RS)”. A proposta envolve famílias agricultoras, assentamentos da reforma agrária e comunidades quilombolas, com ações voltadas à produção sustentável, formação técnica e fortalecimento das redes de comercialização solidária.
Os dois projetos fazem parte do Ecoforte – Programa de Fortalecimento e Ampliação das Redes de Agroecologia, Extrativismo e Produção Orgânica, iniciativa apoiada pela Fundação Banco do Brasil e BNDES e, que apoia redes territoriais voltadas à agroecologia e ao manejo sustentável da sociobiodiversidade.
Agroecologia e soberania alimentar como projeto de país
Para as organizações envolvidas, os convênios representam mais do que investimento financeiro: são parte de um processo coletivo de construção de um modelo de desenvolvimento baseado na agroecologia, na cooperação e na autonomia das comunidades do campo.
A organização de redes territoriais de produção e circulação de alimentos saudáveis fortalece a economia local, amplia a renda das famílias agricultoras e contribui para garantir à população acesso a comida de verdade.
Nesse contexto, iniciativas desse tipo também reafirmam o papel estratégico da agricultura familiar e camponesa na garantia da soberania alimentar — princípio que defende o direito dos povos de decidir sobre seus próprios sistemas de produção e consumo de alimentos, respeitando os territórios, os saberes tradicionais e a natureza.
Sementes crioulas: patrimônio dos povos do campo
A celebração dos convênios ocorrerá durante a 9ª Festa da Semente Crioula e 4ª Feira da Economia Solidária da Cooperbio, evento que reúne agricultores, cooperativas, movimentos sociais e organizações populares em defesa da biodiversidade e da agricultura camponesa.
As sementes crioulas, conservadas e multiplicadas pelas famílias agricultoras ao longo de gerações, são consideradas patrimônio dos povos do campo. Elas representam diversidade genética, autonomia produtiva e resistência frente ao avanço do controle corporativo sobre a produção agrícola.
A festa se consolidou como um espaço de troca de sementes, saberes e experiências agroecológicas, além de fortalecer a comercialização direta de alimentos produzidos pela agricultura familiar.
Projeto carrega legado de Frei Sérgio Görgen
Tanto Wilson Zanatta quanto Luiza Pigozzi destacam a importância do legado de Frei Sérgio para ambos os projetos, que reverberam ideais históricos que o líder religioso e dirigente social sempre teve como pontos centrais de luta.
Zanatta destaca que seu irmão de vida e lutas sempre afirmava que “em meio à crise climática, as iniciativas da agricultura familiar e camponesa constroem caminhos concretos de produção de alimentos saudáveis, preservação da biodiversidade e fortalecimento da soberania alimentar”.
Já Pigozzi lembra que “Os projetos fortalecem redes camponesas, ampliam a produção agroecológica e dão continuidade ao legado de organização popular construído por Frei Sérgio Görgen a partir do RS e que se disseminam por todo o país.”
Frei Sérgio Görgen foi um frade franciscano da Ordem Menor, militante histórico da luta pela reforma agrária e uma das principais referências da agroecologia e da organização camponesa no Brasil. Ao longo de décadas, atuou junto a movimentos populares do campo, defendendo a soberania alimentar, a preservação da biodiversidade e a construção de alternativas ao modelo concentrador da agricultura de monocultivo.
Para integrantes da rede de agroecologia, a implementação do projeto também representa a continuidade de um processo coletivo que Frei Sérgio ajudou a construir ao longo de sua trajetória. Relembra uma fala recente protagonizada por ele: “Sem a terra, sem o camponês e sem a agroecologia não existe soberania alimentar. O futuro da alimentação do povo brasileiro nasce nas mãos de quem cultiva a terra.”
O que é o Programa Ecoforte?
O Ecoforte – Programa de Fortalecimento e Ampliação das Redes de Agroecologia, Extrativismo e Produção Orgânica é o principal instrumento da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica do governo federal para o apoio à agroecologia e transição de sistemas alimentares.
O programa é apoiado com recursos da Fundação Banco do Brasil e do BNDES e executado pelas instituições cujas propostas foram selecionadas no edital de seleção pública. O Programa ECOFORTE integra a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO) e os Planos Nacionais de Agroecologia e Produção Orgânica (PLANAPO), focando no fortalecimento de redes, cooperativas e organizações de produção orgânica e extrativismo.
A iniciativa apoia, por meio de investimento social, projetos coletivos organizados em redes territoriais formadas por agricultores familiares, cooperativas, movimentos sociais, povos tradicionais e organizações da sociedade civil.
André Machado, presidente da Fundação BB destaca a importância da parceria com o BNDES no Edital Ecoforte. “Estas duas iniciativas celebradas aqui em terras gaúchas fortalecem redes de agroecologia e produção orgânica, ampliam a oferta de alimentos saudáveis e promovem autonomia para agricultores e comunidades tradicionais. Seguimos comprometidos com a transição agroecológica e o desenvolvimento sustentável dos territórios.”
“A agroecologia e a soberania alimentar são pilares estratégicos para o desenvolvimento sustentável, a transição ecológica e o combate à fome”, ponderou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. “Os convênios que estamos firmando neste sábado destinarão mais de R$ 4 milhões a agricultores familiares, assentamentos de reforma agrária e comunidades quilombolas para produzir mais alimentos saudáveis de forma sustentável”.
Entre as ações apoiadas estão: implantação de unidades de referência agroecológica; formação e intercâmbio entre agricultores; fortalecimento de redes de produção e comercialização; manejo sustentável da sociobiodiversidade; ampliação da produção de alimentos saudáveis.
O objetivo é fortalecer a transição agroecológica, a autonomia econômica das comunidades do campo e a ampliação do acesso da população a alimentos livres de agrotóxicos.
Serviço:
9ª Festa da Semente Crioula e 4ª Feira da Economia Solidária da Cooperbio
Data: 14 de março de 2026 (sábado)
Local: Cooperbio – Seberi (RS)
Atividades: troca e preservação de sementes crioulas; feira da economia solidária; debates sobre agroecologia e soberania alimentar; solenização dos convênios do Programa Ecoforte com a Fundação Banco do Brasil e Fundo Socioambiental do BNDES.
O encontro reúne agricultores, cooperativas, movimentos sociais e organizações populares em defesa da biodiversidade, da agroecologia e da produção de alimentos saudáveis.
Para mais informações sobre a Festa e Feira: (55) 9 9938 7833
| Cookie | Duração | Descrição |
|---|---|---|
| cookielawinfo-checkbox-analytics | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Analytics". |
| cookielawinfo-checkbox-functional | 11 months | The cookie is set by GDPR cookie consent to record the user consent for the cookies in the category "Functional". |
| cookielawinfo-checkbox-necessary | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookies is used to store the user consent for the cookies in the category "Necessary". |
| cookielawinfo-checkbox-others | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Other. |
| cookielawinfo-checkbox-performance | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Performance". |
| viewed_cookie_policy | 11 months | The cookie is set by the GDPR Cookie Consent plugin and is used to store whether or not user has consented to the use of cookies. It does not store any personal data. |