26 de fevereiro de 2026

Para abordar questões como a degradação e a posse da terra, e os altos índices de insegurança alimentar, a conferência ICARRD+20 teve início em Cartagena na Colômbia
Cartagena das Índias, Colômbia – De 24 de fevereiro até terça-feira, dia 28, a Colômbia sedia a Segunda Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural (ICARD+20), um fórum global apoiado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
Entre outros temas, a conferência aborda questões como por que 3,6 milhões de hectares de terras agrícolas são abandonados a cada ano, em grande parte devido à degradação; por que 85% das 570 milhões de propriedades rurais têm menos de 2 hectares e controlam apenas 9% das terras, enquanto apenas 0,1% concentra quase 50% das terras agrícolas do mundo. Ou por que as desigualdades de gênero persistem, com as mulheres enfrentando os maiores índices de insegurança alimentar.
Na cerimônia de abertura, o presidente Gustavo Petro disse: “Com a Reforma Agrária, estamos priorizando a vida das comunidades rurais na Colômbia. Paz e desenvolvimento significam Reforma Agrária, e é por isso que estamos deixando nossas terras nas mãos dos agricultores, homens e mulheres, porque priorizar a vida na Colômbia começa com os agricultores tendo mais terras. Estamos comprando terras e lotes vagos e emitindo cada vez mais títulos de propriedade para mulheres, porque elas cuidam melhor da terra; ninguém pode fazer isso melhor do que elas.”
A Ministra da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Martha Carvajalino, destacou a decisão do Presidente Petro, a pedido do movimento agrário global, de acolher e retomar este debate, que parecia diluído em meio a tantos outros, após duas décadas. “Aqui na Colômbia, houve uma tentativa de criar um campo sem camponeses, e homens e mulheres resistiram ao confronto. A Colômbia abraçou a política redistributiva que os governos se recusaram a implementar por mais de cem anos. Cumprimos o acordo de paz: 750 mil hectares recuperados, formalizando mais de 2 milhões de hectares. Devolvemos a esses povos indígenas, comunidades camponesas, comunidades negras, afrodescendentes e palenqueras, a sua dignidade e a esperança de que isso seja possível. Hoje, de Cartagena, terra que na Colômbia representa a primeira expressão da luta livre pela terra, dizemos-lhes que os acolhemos para reafirmar que a revolução agrária é a essência da vida e o compromisso com uma humanidade sustentável. Permaneceremos firmes nessa posição”, declarou. Vale ressaltar que a discussão chega ao país em um momento em que o Ministro Carvajalino apresenta o Plano Decenal de Reforma Agrária, como prova de uma visão de longo prazo para a redistribuição de terras, e em que a FAO lançará o relatório sobre o estado da governança e da posse da terra no mundo, entre muitas outras atividades.
Além disso, a Colômbia chega à conferência ICARRD+20 com progressos verificáveis na redistribuição de terras, formalização e governança territorial. A política agrária recente tem buscado abordar uma das raízes históricas do conflito: a desigualdade no acesso à terra. Isso não só impacta as famílias beneficiárias, como também reduz as tensões territoriais e fortalece a estabilidade institucional. Visa demonstrar que o objetivo não é simplesmente distribuir terras, mas consolidar um sistema robusto que garanta a viabilidade a longo prazo dessas políticas.
Apoio Internacional
A Reforma Agrária também recebeu o apoio de representantes internacionais como uma ferramenta fundamental para o acesso à terra e o desenvolvimento rural. Máximo Torero, economista-chefe da FAO, observou que a Conferência representa uma oportunidade crucial para renovar o compromisso e o consenso global para colocar novamente a terra no centro do debate sobre desenvolvimento sustentável. “Não há tempo a perder. Se queremos que os agricultores invistam na restauração e proteção da terra, primeiro precisamos garantir que eles possam conservá-la”, afirmou.
Por sua vez, Mzwanele Nyhontso, Ministro do Desenvolvimento Rural da África do Sul, referiu-se à necessidade de implementar as Diretrizes Voluntárias sobre Posse da Terra, não apenas como princípios orientadores, mas como um mandato que permita aos governos construir sociedades mais comprometidas com a proteção e o uso responsável da terra. Assim, esta conferência internacional busca avaliar o que aconteceu nos últimos 20 anos desde a primeira conferência e, sobretudo, o que deve mudar para que a governança global da terra seja compatível com as crises atuais. Seu propósito não é apenas renovar compromissos, mas também fortalecer mecanismos de monitoramento, a cooperação internacional e a integração da terra, da ação climática e dos sistemas alimentares. Em um contexto de tensões geopolíticas e fragmentação multilateral, a terra torna-se um ponto focal estratégico.
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