29 de outubro de 2025

Nota Pública do MPA
Megachacina no Complexo da Penha e do Alemão: o Estado brasileiro segue em guerra contra o povo negro e favelado
Na madrugada do dia 28 de outubro, os Complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, amanheceram sob uma megaoperação policial que resultou em mais de 130 pessoas assassinadas, um massacre já considerado a maior chacina da história do Rio de Janeiro.
São mais de 130 famílias destruídas, mães e parentes que hoje choram seus filhos, homens negros e favelados executados e tratados pela mídia comercial sem nome, sem rosto e sem direito à memória. São vidas arrancadas por um Estado que não tem pena de morte, mas que segue executando seu povo negro e empobrecido todos os dias nas favelas e periferias do país.
A operação mobilizou cerca de 2.500 agentes das polícias civil e militar, com helicópteros, blindados, drones e armamento pesado. Houve também policiais mortos. Segundo relatos de moradores, corpos com sinais de tortura e execução foram encontrados — alguns com as mãos amarradas. Na madrugada do dia 29, familiares e vizinhos desceram com corpos pelas ruas da comunidade, em um ato de dor, desespero e denúncia.
Durante os dois dias de operação, casas foram arrombadas, pertences roubados, e dezenas de escolas e unidades de saúde fecharam as portas. No Complexo da Penha, 17 escolas tiveram as aulas suspensas; no Alemão, 28 escolas foram impactadas. A população viveu um verdadeiro estado de sítio, imposto por um governo que trata o território popular como campo de guerra.
Em suas declarações, o governador Cláudio Castro atacou a ADPF das Favelas, decisão do Supremo Tribunal Federal que restringiu operações policiais durante a pandemia, chamando-a de “herança maldita”. Ao afirmar que “são filhotes da ADPF” e culpar o STF pela violência, Castro tenta criminalizar os movimentos de favelas que lutam pelo direito à vida e pela suspensão das chacinas. Suas palavras escancaram o comprometimento do governo com a política de morte e a militarização das favelas e periferias.
Na história do Rio de Janeiro, as chacinas se repetem sob diferentes governos e partidos, especialmente aqueles vinculados à direita e à extrema-direita, sustentados pela mesma lógica: o controle, a repressão e o extermínio do povo negro e pobre, em vez da garantia de direitos humanos, moradia, alimentação, saúde e educação para quem vive e constrói as favelas.
O Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) se soma à indignação e à luta dos moradores das favelas, dos movimentos de direitos humanos e das organizações populares. Repudiamos com veemência este massacre e toda política de extermínio que tem a favela como alvo.
As favelas e periferias não podem continuar sendo laboratórios de controle e morte. É urgente romper o ciclo da violência estatal e afirmar um outro projeto de sociedade, um projeto que coloque a vida e os direitos básicos de alimentação, saúde e educação, assim como a dignidade e a justiça social, acima da lógica da guerra, do lucro e do extermínio.
Seguiremos firmes, ao lado do povo, na luta pelo direito à vida e contra o genocídio do povo negro e favelado.
Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA
29 de outubro de 2025
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