10 de março de 2026

Mulheres do campo e da cidade realizam “marmitaço” e distribuem 700 refeições no Rio de Janeiro durante a Jornada de Lutas do MPA
Por João Barros – Fotos Fernanda Queiroz e Brenda Spinoza
A Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Camponesas, do MPA – Movimento dos Pequenos Agricultores – Realizada de 02 a 06 de março, em todo o país tem como lema “Nenhum prato sem comida, nenhuma mulher sem vida!”. Deste modo, o MPA deseja mobilizar a sociedade brasileira para o fato de que faz somente um ano que nosso país saiu, novamente, do mapa da fome mundial. Mas a fome não está completamente derrotada em nossos territórios e são as mulheres pobres, pretas, mães e seus filhos, residentes nas zonas rurais e periféricas, as mais afetadas pela fome e se constitui em uma violência sistemática que recai sobre as mulheres do país.
Nenhum prato sem comida é um chamado ao país para construir soberania alimentar e abastecimento alimentar popular de fato, bandeiras históricas do MPA. O “marmitaço” tem por objetivo levar comida de verdade, feita com alimentos agroecológicos para a mesa das pessoas, mas também ocupar os territórios por meio das Cozinhas Solidárias, que são ações permanentes de enfrentamento à fome e promoção do direito à alimentação saudável.
Mas construir Soberania Alimentar e Abastecimento Popular exige uma transformação profunda de todo o sistema de produção de alimentos, e o MPA tem propostas para que o país supere, contundentemente, a fome. Para nós, isso está ligado a uma reorganização da lógica de produção na relação com a natureza e nas relações humanas – sem exploração e destruição, na ampliação da oferta de alimentos em quantidade, qualidade e diversidade, na manutenção das famílias camponesas no campo em condições adequadas de vida e na descentralização da distribuição de alimentos em uma rede de abastecimento alimentar que permita a todas as famílias trabalhadoras urbanas se alimentar adequadamente, conforme o guia alimentar para a população brasileira desenvolvido pelo SUS – diz Leile Teixeira, militante e dirigente estadual do Movimento dos Pequenos Agricultores-MPA (RJ).

O Raízes do Brasil é parte do MPA – Movimento dos Pequenos Agricultores e há quatro anos, o espaço aderiu ao Programa Cozinha Solidária, do governo federal, que tem por finalidade melhorar a alimentação de pessoas em situação de pobreza. As marmitas fornecidas pelo Raízes do Brasil vão além, pois são preparadas com produtos agroecológicos da produção camponesa do estado.
A cozinha do Raízes foi a primeira experiência de Cozinha Solidária do MPA no Rio de Janeiro e hoje integra uma rede que também conta com cozinhas solidárias em comunidades como Cantagalo, em Niterói e Morro dos Guararapes no Rio. Enquanto o Raízes do Brasil distribui refeições para moradores das comunidades da Coroa e dos Prazeres, as demais cozinhas atuam diretamente em seus próprios territórios. Durante o marmitaço realizado na Jornada de Lutas das Mulheres, as três cozinhas do MPA estiveram mobilizadas na produção das refeições e contaram também com o apoio da cozinha solidária do MTST – Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto da Lapa, reforçando a aliança entre movimentos populares no combate à fome.
O Marmitaço ou “Nenhum prato sem comida…”
O trabalho na cozinha do restaurante Raízes do Brasil começou mais cedo na quarta-feira, dia 4 de março. A tarefa dos profissionais e voluntários, a maioria mulheres, não era para os fracos: realizar, em poucas horas, a produção de 200 quentinhas, com o objetivo de atender às comunidades dos Prazeres e Coroa, em Santa Teresa.
Mariana Almeida, a Mari, gaúcha de Alegrete, coordena o trabalho da cozinha do Raízes do Brasil, que fornece refeições para as Cozinhas Solidárias das comunidades dos Morros dos Prazeres e da Coroa. – Às terças, quartas e quintas-feiras são produzidas 300 refeições/dia no Raízes. As quentinhas são entregues aos moradores mais vulneráveis dessas comunidades, indicados pelas lideranças de cada uma delas. – São alimentos saudáveis, sem agrotóxicos, produzidos por agricultores e agricultoras fluminenses, na maior parte. O cardápio é composto de arroz, feijão, legumes e hortaliças, farofa e carne – conta assistente social e militante do MPA.
No marmitaço, a Cozinha Solidária do Raízes do Brasil produziu 200 quentinhas, que foram distribuídas nas comunidades da Coroa e dos Prazeres. No Guararapes, sob a coordenação de Leonice, foram preparadas mais 150 refeições e distribuídas no próprio território, onde também aconteceu uma roda de conversa. Em Cantagalo, Niterói, a equipe coordenada por Soraya produziu outras 150 marmitas. Já a cozinha do MTST, na Lapa, produziu mais 200. No total, o marmitaço entregou cerca de 700 refeições.
Suellen de Jesus da Silva responde pela cozinha do Raízes do Brasil, é moradora do Morro dos Prazeres, tem duas filhas Eduarda (9 anos) e Antonella (2 anos), e vê como fundamental o trabalho da Cozinha Solidária. “O carinho, a dedicação de toda a equipe, desde o planejamento da ação, é o que mais me gratifica. É bom saber que pessoas vulneráveis têm acesso a produtos agroecológicos, que recebem alimentação saudável. À maioria de nós, porém, só resta os produtos vendidos nos mercados, os ultraprocessados sem qualquer valor alimentício”.
Nenhuma mulher sem vida
“A fome, em si, já é uma violência, mas torna-se uma arma perversa contra as mulheres quando se transforma em chantagem emocional. Em muitas famílias o medo de que os filhos e filhas passem fome faz com que mulheres em situação de pobreza não consigam romper os laços afetivos com companheiros abusadores e violentos”.
“Mas quando lutamos pela vida das mulheres, não é por qualquer vida que lutamos. Nossa luta é por uma vida sem ameaças e violências sejam elas moral, sexual, física, psicológica, patrimonial ou política. Uma vida que produza humanidade por meio da emancipação humana – complementa Leile.
O marmitaço do MPA, desse modo, traz comida para a mesa e promove a reflexão do que é o movimento e sua atuação. – Entendemos que as mulheres precisam se organizar, ainda mais, para transformarem sua vida e o mundo. Quanto aos homens, pedimos para que eles se tornem aliados conscientes e ativos da luta das mulheres. Não basta não reproduzir a violência. É preciso que a violência seja eliminada e isso exige posicionamento e mudança radical de atitude por parte dos homens, precisamos que os homens também combatam contra a violência. Patriarcado, racismo e classes sociais constituem uma unidade que surge do patriarcado e essa tríade precisa ser atacada em seu conjunto. diz ela.
Para Leile Teixeira, patriarcado, racismo e classe são pilares de sustentação do capitalismo o resultado dessa unidade é a busca permanente por formas de destruição das mulheres, especialmente, das mulheres negras, mas também da natureza e de toda a humanidade. O massacre da Palestina, o embarco contra Cuba, a invasão da Venezuela e a guerra em curso no Oriente Médio são indicadores contundentes da capacidade de destruição do capitalismo imperialista. Em todas elas as mulheres são sem dúvidas, as mais atingidas, finaliza.
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