24 de março de 2026

Mulheres do Baixo São Francisco participam da Jornada Nacional de Luta das Mulheres Camponesas do MPA em Sergipe
O dia 14 de março foi marcado pelo Encontro Regional de Mulheres do Baixo São Francisco, que aconteceu na cidade de Neópolis, no Centro de Idosos do município. A programação fez parte da Jornada Nacional de Luta das Mulheres Camponesas e foi um espaço para dialogar de forma mais aprofundada sobre a campanha das mulheres do MPA de 2026: Nenhum prato sem comida, nenhuma mulher sem vida!
Participaram cerca de 100 mulheres de diversos povoados de Neópolis, além da sede do município, também mulheres do Território Quilombola Brejão dos Negros, em Brejo Grande, do povoado Saramém, de povoados de Pacatuba e da Aldeia Indígena Fulkaxó, também em Pacatuba. Estiveram também presentes no encontro as mulheres do MPA do Alto Sertão Sergipano, reforçando a diversidade de mulheres e da organização do MPA em diferentes territórios.
Nenhum prato sem comida
Gardênia Oliveira, militante do coletivo de gênero do MPA e atuante no município de Monte Alegre de Sergipe, trouxe o contexto do mote de 2026 para a jornada das mulheres, destacando a luta por soberania alimentar, a batalha cotidiana contra o uso de agrotóxicos e também a autonomia das mulheres camponesas que cada vez mais são as principais responsáveis pela garantia do sustento e do alimento na mesa de suas famílias.
“Quando retorna o governo Lula, o país sai novamente do mapa da fome. Porém, a gente sabe que muitas pessoas podem até ter acesso a comida, mas essa comida não é uma comida de qualidade. As vezes a gente vai para a feira e só temos o dinheiro para o básico e muitas vezes esse básico vem carregado de veneno do agrotóxico. A nossa luta é por condições de ter alimento e que esse alimento seja saudável, que as mulheres camponesas tenham também condições de produzir seus alimentos na sua terra”, destacou Gardênia.
A grande maioria das mulheres presentes na atividade forma mulheres camponesas que sempre estão presentes nas atividades do Movimento dos Pequenos Agricultores no estado, além da luta pela terra, as mulheres já participaram e participam de formações sobre a produção de alimentos saudáveis com os ensinamentos da agroecologia, e também do beneficiamento de diversas matérias primas encontradas nas comunidades para a garantia da autonomia feminina através do trabalho.
“Eu sou da rizicultura e através do plantio de arroz, tive muitas outras experiências. Uma delas foi plantar outras sementes sem o uso de agrotóxico, que é um desafio, mas é muito gratificante. A gente vê ali que está crescendo um alimento que é pura saúde, dá mais prazer ainda quando estamos produzindo algo que vai fazer bem para todo mundo. Através do MPA também tive a oportunidade de participar de oficinas artesanais como de produção de broa, licor, pão, tudo isso é um aprendizado e de uma pequena ação, vamos gerando um conhecimento maior”, afirmou Giselda dos Santos, do povoado Soldeiro em Neópolis.
Nenhuma mulher sem vida
O contexto histórico do nascimento do 8 de março em todo o mundo foi destacado e colocado como um dia de luta para todas as mulheres. Sendo um momento de relembrar as operárias que foram mortas em serviço, as grandes marchas de mulheres por direitos trabalhistas, sexuais e de gênero, a hierarquização das pautas que historicamente invisibiliza mulheres negras até hoje e muitos outros percalços que as mulheres precisam se manter firmes no enfrentamento diário.
Vivendo em uma sociedade patriarcal, a organização e a união das mulheres é uma ferramenta poderosa para mexer com as estruturas de um sistema falido. E foi nesse cenário que as mulheres do Baixo São Francisco dialogaram coletivamente, relembrando suas trajetórias individuais e coletivas de organização e de transformação em seus territórios.
“O machismo está presente dentro de nossas casas quando não ensinamos nossos filhos homens as atividades domésticas, deixamos apenas para as mulheres. Nas nossas comunidades, quando tem trabalho, a gente ouve ‘aquele trabalho é para homem’ e as mulheres ficam sempre na cozinha ou em tarefa de cuidado. A mulher vai na popa e o homem é quem pilota o barco. Vamos pilotar o barco também! Vamos remar pra ele arriar a rede, vamos cavar o buraco para ele jogar a semente, vamos na frente ou do lado, nunca mais atrás! Vamos ocupar o nosso lugar”, declarou Iara Machado, do Quilombo Resina, em Brejo Grande.
Em um país que mata 4 mulheres por dia, de acordo com os Dados do Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (Raseam) 2025 (Fonte: Agência Brasil), a organização das mulheres pode salvar vidas e é nesse caminho que o MPA atua em seus 30 anos de história.
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