18 de junho de 2026
MPA Alagoas recebe Prêmio Guardiãs da Sociobiodiversidade, que reconhece povos e comunidades que preservam a riqueza ambiental e cultural do Brasil

A Cooperativa Mista de Produção e Comercialização Camponesa do MPA em Alagoas foi premiada na 2ª edição do Prêmio Guardiãs da Sociobiodiversidade. Salete Barbosa, uma das principais dirigentes e coordenadoras do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) no estado de Alagoas, esteve em Brasília para receber o prêmio. Ela reside no município de Palmeira dos Índios, atua na defesa da agricultura camponesa, da agroecologia, da soberania alimentar e na preservação de sementes crioulas.

Denilva Araújo e Ana Carolina Tessmann também participaram da solenidade de premiação
Brasília – Em uma cerimônia marcada pela diversidade cultural, pela valorização dos saberes tradicionais e pelo reconhecimento do papel estratégico das populações que mantêm os biomas brasileiros preservados, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima realizou a segunda edição do Prêmio Guardiãs da Sociobiodiversidade, iniciativa que homenageia organizações de povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares que atuam na conservação da biodiversidade e na proteção dos conhecimentos ancestrais.
A solenidade reuniu representantes de todas as regiões do país e foi aberta com uma apresentação dos indígenas Samá e Tubaiá Pataxó, em um momento de celebração da espiritualidade e dos ancestrais. Ao longo do evento, foram exibidos depoimentos de vencedores da edição anterior, que relataram a importância do reconhecimento para fortalecer iniciativas locais e estimular novas gerações a manter vivas as tradições e a defesa dos territórios.

Nesta segunda edição, o prêmio ampliou o alcance da iniciativa, passando de 20 para 50 organizações contempladas. Entre elas estão 13 organizações indígenas, 12 quilombolas, 13 representantes de povos e comunidades tradicionais e 12 de agricultores familiares. Cada iniciativa premiada receberá recursos para fortalecer suas ações nos territórios.
Reconhecimento a quem mantém a floresta em pé
Durante a cerimônia, autoridades destacaram que a proteção da biodiversidade brasileira está diretamente ligada à atuação dos povos tradicionais. A secretária nacional de Gestão Ambiental e Territorial Indígena do Ministério dos Povos Indígenas, Seissa Pitaguari, afirmou que a premiação dá visibilidade a homens e mulheres que há décadas preservam os recursos naturais e os conhecimentos tradicionais, contribuindo para o desenvolvimento sustentável do país.
Já a secretária nacional de Bioeconomia do Ministério do Meio Ambiente, Karina Pimenta, ressaltou que o prêmio representa um marco histórico na implementação da política de repartição de benefícios decorrentes do uso da biodiversidade brasileira. Segundo ela, os recursos do Fundo Nacional de Repartição de Benefícios são provenientes de empresas que utilizam a biodiversidade em seus processos produtivos, garantindo que parte desses ganhos retorne às comunidades responsáveis pela preservação dos ecossistemas.
Karina destacou ainda que os recursos acumulados pelo fundo já alcançam cerca de R$ 14 milhões e que o objetivo é avançar para ações estruturantes capazes de beneficiar um número cada vez maior de organizações e territórios.
Marina Silva relembra origem da política
Presente ao evento, a ex-ministra Marina Silva relembrou que a discussão sobre repartição justa dos benefícios provenientes da biodiversidade brasileira remonta à década de 1990, quando apresentou no Senado uma proposta para assegurar que os conhecimentos tradicionais e os recursos genéticos do país fossem protegidos e gerassem benefícios econômicos, sociais e culturais para seus detentores.
A ministra ressaltou que a atual estrutura de políticas públicas — que inclui a Secretaria Nacional de Bioeconomia, programas voltados às comunidades tradicionais e mecanismos de financiamento — é resultado de um processo construído ao longo de décadas e fortalecido pelo atual governo federal. Segundo ela, os recursos destinados pelo prêmio representam uma “semente” capaz de impulsionar projetos e fortalecer iniciativas comunitárias em todo o país.
Justiça ambiental e combate às desigualdades
Representando o Ministério da Igualdade Racial, a ministra substituta Bárbara Souza destacou que a premiação simboliza uma forma de reparação histórica e de combate ao racismo ambiental. Ela ressaltou que povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e povos de matriz africana foram historicamente invisibilizados e perseguidos, apesar de desempenharem papel fundamental na manutenção da floresta em pé e na conservação dos ecossistemas brasileiros.
Segundo Bárbara Souza, tornar visível a contribuição desses povos é um passo importante para promover justiça ambiental e igualdade racial, fortalecendo o protagonismo das comunidades tradicionais nas políticas públicas.
Símbolo de um novo modelo de desenvolvimento
Ao encerrar a cerimônia, autoridades enfatizaram que a preservação ambiental e o desenvolvimento econômico não são objetivos opostos, mas complementares. A valorização dos conhecimentos tradicionais, da bioeconomia e da repartição justa dos benefícios provenientes da biodiversidade aparece, cada vez mais, como uma estratégia para enfrentar a crise climática e construir um modelo de desenvolvimento sustentável baseado na diversidade cultural e ambiental brasileira.
Mais do que uma premiação, o Prêmio Guardiãs da Sociobiodiversidade consolida-se como um instrumento de reconhecimento e valorização daqueles que, há gerações, protegem os biomas brasileiros e preservam conhecimentos fundamentais para o futuro do país.
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