29 de junho de 2026
Na noite última quarta-feira, 24 de junho, data em que se celebra São João, aconteceu no distrito de Tarilândia, em Jaru (RO), a festa popular Arraiá de comemoração dos 30 anos do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). A festa reuniu famílias camponesas, lideranças, jovens, crianças e apoiadores em uma celebração marcada pela cultura popular, pela agroecologia e pela valorização da vida no campo.

Ao redor da fogueira, entre bandeirinhas, música ao vivo, apresentações culturais, comidas típicas, feira e muitas brincadeiras, o público celebrou três décadas de organização e luta do MPA em defesa da agricultura camponesa. A festividade reafirmou as pautas históricas do movimento, como a produção de alimentos saudáveis, a educação do campo e o direito à permanência das famílias em seus territórios.
A animação da noite ficou por conta da Banda Maavah, do grupo Raiz Sertaneja e de duplas de cantadores e cantadoras populares, que embalaram o público com música ao vivo. No barracão, o destaque foi a grande variedade de pratos típicos preparados com alimentos produzidos pelas próprias famílias camponesas. A culinária do arraiá funcionou como um ato político, reafirmando o compromisso do movimento com a soberania alimentar e a valorização das tradições locais.
A escolha do local da festa pelo movimento foi uma definição com uma importante simbologia: o arraiá aconteceu no mesmo barracão onde, tradicionalmente todas as sextas-feiras, é realizada a feira agroecológica do distrito. Para a feirante e moradora da comunidade, Sebastiana Babilon, celebrar os 30 anos do movimento nesse espaço é a tradução viva da conquista camponesa.
“Esse barracão tem um significado muito especial para nós, porque foi construído pelos próprios camponeses e apoiadores em mutirão. É um espaço que simboliza a união e a resistência da agricultura camponesa aqui da nossa região. É aqui que, toda semana, a gente comercializa a nossa produção diretamente com os consumidores, fortalecendo essa relação entre quem produz e quem consome. Celebrar os 30 anos do MPA justamente nesse lugar torna esse momento ainda mais simbólico para as famílias. Hoje em dia, é cada vez mais difícil ver uma construção coletiva desse tamanho”.
Sebastiana ainda lembra como foram aqueles três meses intensos:
“Esse barracão levou cerca de três meses para ser erguido, de novembro de 2012 a fevereiro de 2013, sendo finalizado e inaugurado no dia 23 de fevereiro, com a participação de mais de 500 pessoas e presença de militantes de vários municípios. Na inauguração, a alimentação foi totalmente doada e houve churrasco, quando foram utilizadas seis vacas e meia. Também tivemos uma mesa de frutas, bolos e doces, toda organizada pelos feirantes. A obra foi realizada com trabalho de segunda a sexta-feira, reunindo muitas pessoas em um esforço coletivo. Por isso, realizar essa festa aqui representa a história de luta, organização e união que o MPA construiu ao longo desses 30 anos.”
Durante o ato de abertura do arraiá, a coordenadora do MPA, Leila Denise, destacou que importantes conquistas para quem vive no campo são resultado da mobilização movimento.
“Se a gente tem hoje crédito com subsídio, ele também tem a marca e a luta do Movimento dos Pequenos Agricultores. Se hoje a gente ainda tem juventude e crianças estudando no campo, tem a marca do Movimento dos Pequenos Agricultores, que faz a luta em defesa da educação e da escola onde o povo mora, que é no campo, nas nossas comunidades.”
A celebração também evidenciou o protagonismo das mulheres camponesas. Elas são a força motriz na produção de alimentos, na preservação dos saberes tradicionais e na organização de base das comunidades. O clima junino reforçou a importância da cultura popular como parte fundamental da identidade e da resistência do campesinato rondoniense.
Mais do que uma festividade, a noite dedicada a São João transformou-se em um marco de memória e reafirmação do compromisso do MPA. Três décadas depois, o movimento segue firme na construção de um campo mais justo, pautado na agroecologia, na organização popular e na dignidade para quem trabalha a terra.
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