3 de agosto de 2026
Organizações sociais e lideranças políticas reuniram-se em São Paulo para estruturar ações de rua e de redes, projetando a militância para a campanha eleitoral de 2026
Publicado 01/08/2026 – Actualizado 03/08/2026

Com cerca de 400 pessoas, a sede do Sindicato dos Químicos, na cidade de São Paulo, foi palco do ato de lançamento das Brigadas de Agitação e Propaganda Lula Presidente. O evento aconteceu na noite desta sexta-feira (31) e reuniu lideranças de movimentos populares, centrais de trabalhadores, parlamentares e dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT), com o objetivo de formalizar e expandir a organização do trabalho de base voltado à pré-campanha e à campanha da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Entre as diretrizes de atuação dessas brigadas estão a realização de panfletagens, visitas domiciliares, rodas de conversa, intervenções culturais e a difusão de conteúdos em redes sociais. O foco central das abordagens abrange temas como soberania nacional, proteção aos direitos sociais, habitação, combate à crise climática e o enfrentamento de pautas da extrema-direita nos debates públicos regionais e nacionais.
Atualmente, existem 342 brigadas, que reúnem cerca de 6.280 participantes. Elas são formadas pela Central de Movimentos Populares (CMP), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), União dos Movimentos de Moradia (UMM), Federação Única dos Petroleiros (FUP) e o próprio Partido dos Trabalhadores.

A programação da noite incluiu falas de representantes governamentais e de entidades parceiras, culminando com a convocação para a mobilização do dia 16 de agosto, data do ato político de lançamento da campanha de Lula no Estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo (SP). Ao abordar a urgência do calendário eleitoral e o impacto internacional do pleito brasileiro, Raimundo Bonfim, da coordenação nacional da Central de Movimentos Populares (CMP), ressaltou o papel estratégico das brigadas no processo político.
“São poucos dias para a gente dar conta da nossa tarefa. O mundo olha agora para as eleições de outubro. Se o Brasil vai fazer parte ou retomar o quintal dos Estados Unidos, vai voltar a ser colônia dos Estados Unidos, ou se nós vamos continuar com a tarefa de aprofundar a soberania alimentar, a soberania do nosso país, a taxação dos super-ricos, a questão de voltar a estatizar empresas como a Eletrobras”.
O dirigente também criticou a gestão dos serviços públicos e a situação da segurança no estado de São Paulo ao comentar o processo da privatização da Sabesp. “Estamos vendo a conta de água aumentar para o povo e a gente não tem água, a torneira está suja. A gente vê a situação de violência no nosso estado, da segurança pública em que eles só querem matar os negros e negras, jovens da periferia, mas não têm coragem de enfrentar o crime organizado”.
Ao projetar o alcance da iniciativa e conclamar a militância para o engajamento contínuo nas semanas seguintes, Raimundo Bonfim enfatizou a dimensão nacional do movimento, destacando que o ato está ocorrendo em outros estados. “Belém do Pará, em Manaus, em Teresina, em Campina Grande, São Luís. E nós já mapeamos 363 brigadas no Brasil inteiro, em 24 estados. O nosso desafio agora é a gente chegar nos 27 estados da federação”, disse.
Ele completou sustentando que a disputa é sobre construir um país soberano e “avançar na democracia, avançar na taxação dos super-ricos, se apropriar das nossas riquezas, para distribuir aquilo que a classe trabalhadora produz, para distribuir não ao serviço de meia dúzia”.
Na sequência, o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) contextualizou a disputa eleitoral como um embate contra retrocessos sociais e em defesa dos direitos conquistados. “A missão de vocês é derrotar o fascismo, derrotar a extrema direita, derrotar o bolsonarismo, evitar a barbárie no Brasil. Eles vêm para atrasar tudo o que nós conquistamos. Eles querem concentrar renda na mão de poucos, tirar direitos dos trabalhadores; eles querem diminuir a importância das mulheres na sociedade; eles querem diminuir a importância da população negra. São preconceituosos e querem reprimir as pessoas pela sua orientação sexual. Querem promover brigas religiosas”.

Ao destacar a mobilização popular e a indignação com a precarização dos serviços públicos privatizados em São Paulo, Ivone Silva, presidenta do Instituto Lula, da Secretaria-Geral do PT-SP e da Coordenação de Campanha em SP, reforçou o engajamento vindo das bases. “A gente vê essa energia toda e essa animação, porque é uma animação que a gente está há muito tempo nas ruas. Porque nós sabemos o quanto é importante eleger pessoas que estejam lá, sejam mandatárias, e que trabalhem para nós, trabalhadores e lutadores do país”.
Ivone concluiu apontando estratégias práticas de diálogo no cotidiano e a relevância central do pleito para as mulheres, destacando o trabalho das redes contra as fake news e as conversas olho no olho. “Então, trabalhar em rede vai ser importantíssimo. Você pode pegar um trem, pode pegar um metrô, pode fazer a conversa na fila do açougue, na fila do mercado, na fila do ônibus, na fila do trem, ou mesmo no trem, conversando e convencendo o coleguinha do lado que às vezes está indeciso. E para nós, mulheres, essa eleição é mais importante do que para todo mundo. Porque o que a gente tem visto ultimamente? Desde que em 2018 foi eleito o Bolsonaro, olha bem como a nossa vida, enquanto mulher, piorou muito”.

Luiz Dalla Costa, da coordenação nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens, ressaltou que o momento histórico é bem complexo, já que há uma disputa no mundo e consequências da crise climática no Brasil e em toda a América.
“Neste momento, é fundamental o máximo de mobilização, e as brigadas de agitação e propaganda servem para isso: para garantir que haja no Brasil um governo democrático popular que atenda às reivindicações do povo atingido por essas consequências. Por isso, é fundamental a participação de todos neste momento para eleger um governo que de fato sirva aos interesses do povo brasileiro”.
A atividade contou ainda com espaço reservado para pronunciamentos de outros representantes das organizações e do Partido dos Trabalhadores. Lucinha Barbosa, secretária nacional de Movimentos Populares do PT, fez um breve resgate da atuação das Brigadas em momentos decisivos da história recente do Brasil, como a campanha pela liberdade do presidente Lula e a defesa da presidenta Dilma Rousseff. Também destacou a importância da iniciativa para a mobilização popular e a disputa política nas eleições de 2026.
“Nós achamos que iniciar a militância, o trabalho das Brigadas e a agitação popular é de fundamental importância para a reeleição do presidente Lula e para ajudar o presidente, o governo e a classe trabalhadora a enfrentar esse mundo de direita, que é um caminho muito longo que a gente tem pela frente. Passa pela reeleição, mas nós temos um caminho muito longo”.
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