Bolívia: CLOC – La Vía Campesina rejeita as ações divisórias e polarizadoras promovidas por Rodrigo Paz
Comprometidos com o povo boliviano, defendendo os mais altos valores de solidariedade sem esquecer nossas raízes e o progresso alcançado unicamente pela união de um povo organizado ao longo destes anos, nós, da CLOC-La Vía Campesina Bolivia, composta pela Confederação Nacional de Mulheres Camponesas, Indígenas e Nativas da Bolívia “Bartolina Sisa”, pelo Movimento de Trabalhadores Camponeses Indígenas Sem Terra da Bolívia, pela Confederação Sindical Unificada de Trabalhadores Camponeses da Bolívia (CSUTCB) e pela Confederação Sindical de Mulheres de Comunidades Nativas Interculturais da Bolívia (CSCIOB), exercendo nosso legítimo direito de fazer ouvir nossas vozes, declaramos:
- As medidas de pressão que estamos tomando são protegidas pelo legítimo direito de protesto estabelecido pela Constituição Política do Estado. Essas medidas são resultado da inação e da má gestão do Governo de Rodrigo Paz, seus ministros e deputados corruptos, que vilipendiaram, menosprezaram e criminalizaram os protestos de organizações sociais, organizações camponesas e povos indígenas.
- Rejeitamos as ações divisivas e polarizadoras promovidas pelo chefe de Estado, Rodrigo Paz, que buscam colocar os povos uns contra os outros e dividir as organizações sociais mobilizadas.
- Exigimos que o Governo cesse o seu apoio logístico a organizações paramilitares como a Unión Juvenil Cruceñista, a Resistencia Juvenil Cochala e outros grupos irregulares previamente denunciados pelo GEI, e que atuam com impunidade sob a vigilância complacente de instituições estatais como a Polícia e as Forças Armadas, como ocorreu em San Julián, onde a polícia permaneceu impassível enquanto a Unión Juvenil distribuía armas caseiras para atacar os camaradas que participavam da mobilização.
- Exigimos que o Governo Nacional e o Poder Judiciário retirem imediatamente todos os mandados de prisão contra os líderes das organizações sociais mobilizadas, libertem todos os camaradas detidos durante os protestos realizados e ponham fim à perseguição política do povo mobilizado.
- Exigimos que a Assembleia e o Governo Nacional revoguem a lei do Estado de Exceção, uma vez que essa lei garante a presunção de “assassinato legal” e a impunidade contra os camaradas mobilizados, violando os direitos fundamentais de todo ser humano.
- Denunciamos perante a comunidade internacional o que está acontecendo no Estado Plurinacional da Bolívia em relação à perseguição e detenção de líderes, e exigimos respeito e cumprimento dos compromissos do Governo.
Como CLOC-La Vía Campesina Bolivia, ao longo destes últimos meses aguardamos o cumprimento das promessas de campanha, mas tudo o que encontramos foi difamação, mentiras, combustível de má qualidade, leis e decretos supremos que favorecem a extrema-direita e os grandes latifundiários, inflação e aumento dos preços dos produtos básicos. É por isso que estamos nos mobilizando e exigindo respeito aos camaradas que estão na luta, que, como nós, clamam pelo cumprimento dos compromissos assumidos durante o período eleitoral em favor da maioria.
Santa Cruz, 10 de junho de 2026
