11 de maio de 2026
Erika Oliveira | MPA Brasil

Após uma calorosa homenagem à memória e ao legado de Frei Sérgio, cuja clareza ideológica segue orientando as fileiras camponesas, o 4º Encontro Nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) iniciou com a mesa de abertura que contou com participação de autoridades como a ministra da Desenvolvimento Agrário e da Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, a secretária Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério de Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Lilian Rahal, entre outras e de dirigentes de movimentos parceiros do MPA, como o Movimento dos(as) Trabalhadores(as) Sem Teto e o Movimento dos(as) Atingidos por Barragens. Em seguida, debateu-se a conjuntura na mesa “O mundo em disputa: desafios e caminhos da classe trabalhadora”. O debate reuniu Jaime Amorim, da Via Campesina; Ana Paula Perles, da coordenação nacional do MTST; e Anderson Amaro, da direção do MPA.
A análise central focou na agressividade do imperialismo norte-americano, na captura da subjetividade da classe trabalhadora pela extrema-direita e na urgência de um projeto de soberania que chegue, efetivamente, ao prato do povo brasileiro.

Jaime Amorim iniciou a mesa com uma leitura contundente sobre a geopolítica global. Para ele, os Estados Unidos vivem um momento de “imperialismo em decadência”, o que os torna ainda mais perigosos. Sob a liderança de figuras como Donald Trump, o governo norte-americano tenta retomar o controle absoluto sobre a América Latina para salvar sua própria economia. “O objetivo é nos colocar novamente como súditos, a serviço da política e da economia deles para salvar o império. A conta chega para nós através do sequestro das nossas riquezas”, afirmou Amorim.
O dirigente do MST destacou que a inteligência e a força militar americana, exemplificadas na pressão sobre a Venezuela, visam garantir o controle de dois ativos estratégicos: o petróleo e os minerais raros. Amorim alertou que a disputa hegemônica com a China e a Rússia alterou a dinâmica mundial pós-pandemia, criando um cenário de guerra híbrida que utiliza desde sabotagens econômicas até o uso massivo de inteligência artificial para manipular processos eleitorais e garantir a vitória da extrema-direita no continente.
Ana Paula Perles, do MTST, trouxe a análise para o território urbano, conectando o avanço do fascismo à insatisfação social gestada desde 2013. Ela pontuou como a extrema-direita foi hábil em criar um novo roteiro para a classe trabalhadora, atacando a CLT e vendendo a ilusão do empreendedorismo individual.
A dirigente exemplificou o ‘mito do patrão de si mesmo’ a partir de figuras que simbolizam a substituição do projeto coletivo pelo esforço individual, capturando a subjetividade, especialmente da juventude. Ana Paula denunciou, ainda, o uso da fé como palanque, por meio da instrumentalização de setores religiosos para disseminar o ódio e deslegitimar políticas públicas. Por fim, abordou a construção do ‘comunismo’ como o inimigo comum, um espantalho ideológico resgatado dos tempos da ditadura militar para unificar robôs e militantes digitais em torno de pautas doutrinárias.
Ana Paula ressaltou que, durante a pandemia, os movimentos sociais deram a resposta através da solidariedade ativa. “As cozinhas solidárias fizeram o que o governo não fez. Mostramos que o nosso projeto é o da coletividade e não o da lógica do trabalho isolado”, defendeu.

Um ponto de convergência crítica na mesa foi o papel do atual Estado brasileiro. Jaime Amorim e Ana Paula destacaram que, embora o governo Lula tenha anunciado políticas públicas importantes, elas enfrentam o bloqueio de uma máquina burocrática conservadora.
“O Estado brasileiro continua conservador. A maioria dos servidores e a burocracia bancária travam o processo. O governo anuncia, mas a política não chega na ponta”, criticou Amorim. A crítica estendeu-se à economia doméstica: para os palestrantes, a “comunicação melhorou”, mas a picanha, a fruta e a verdura ainda não estão baratas para a maioria da população. A tarefa urgente é reduzir o preço dos alimentos e fortalecer a rede de distribuição popular para que o povo sinta a mudança na vida real.
Encerrando a mesa, Anderson (MPA) sistematizou os desafios para o campesinato frente à “crise civilizatória”. Ele defendeu que a resistência deve evoluir para a consolidação do Poder Popular através de seis eixos estratégicos de soberania:
“Não podemos ficar apenas na resistência. É preciso dar o passo para a superação. Só construiremos essas soberanias se tivermos consciência e responsabilidade coletiva”, por isso, “nós temos o compromisso de não eleger um congresso que é inimigo do povo! A agenda deles hoje (do poder econômico hegemônico), não é a nossa,” concluiu Anderson. A mesa encerrou-se com a convocação para que o MPA e os movimentos aliados ocupem todos os espaços de disputa, garantindo que o projeto popular de agricultura e de cidade avance contra a ofensiva do capital.

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