20 de setembro de 2026

Texto e fotos: Coletivo de Comunicação Teia dos Povos
Começou na sexta-feira (18/9/26) o primeiro dia do 4º Festival de Sementes Crioulas da Bahia, realizado pelo MPA no Assentamento Terra Nossa, em Ponto Novo, com o tema “Sementes Crioulas – da resistência camponesa à soberania alimentar”. O festival abriu com muita música, batuque e alegria, contagiando as caravanas que chegaram de diversos territórios.
O encontro dá continuidade a uma trajetória iniciada este ano e reúne representantes do MPA da Bahia, Sergipe, Pernambuco, Rondônia e de outros estados, além de integrantes do MPA Nacional, movimentos sociais e articulações como a Teia dos Povos, que desde 2012 constrói uma aliança entre comunidades indígenas, quilombolas, sem-terra e pequenos agricultores em torno da agroecologia e da Rede de Sementes Crioulas.
O encontro contra com as presenças de repesentantes do MST, do MDA, do FIDA, além de Arcas, IICA, Sasop, Povos da Mata, UFRB, UNEB, SEC, Refaísa, autoridades do poder municipal, que prestigiam e apoiam o evento.
O dia começou com a recepção das caravanas, café camponês e credenciamento, seguidos da mística de abertura e saudação aos participantes. Pela manhã, os painéis temáticos aprofundaram debates e discutiram quem controla as sementes e, consequentemente, a produção de alimentos.
As discussões trataram das sementes crioulas como base da soberania dos povos, da relação entre bioinsumos e transição agroecológica, da educação do campo como ferramenta de formação e resistência, dos vínculos entre sementes crioulas e saúde, do enfrentamento jurídico e acesso a direitos diante das ameaças às variedades nativas, e ainda da infância e das sementes, com produção de artes que aproximam as crianças desse patrimônio.
Durante todo o dia, a feira movimentou o espaço com sementes crioulas e nativas de diversos territórios da Bahia e de fora do estado, além de mudas, comida e artesanato. A programação inclui desde trocas de sementes entre agricultores até testagens, práticas que reafirmam as sementes crioulas como o maior patrimônio que temos hoje — variedades que atravessaram gerações, sobreviveram às secas e foram selecionadas pelas próprias famílias.


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