10 de setembro de 2026
Imagem: Brenda Spinosa
Realizada entre os dias 3 e 6 de setembro, em Luziânia (GO), a Escola reuniu camponesas, camponeses e sujeitos LGBTI+ de 18 estados brasileiros em quatro dias de formação e organização.
Entre os dias 3 e 6 de setembro, o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) realizou, em Luziânia (GO), a 6ª Escola Feminista do Movimento. Reunindo militantes de 18 estados, de diferentes regiões do país, a atividade reafirmou o Feminismo Camponês e Popular como parte fundamental da luta e da construção política do campesinato brasileiro.
Ao longo dos quatro dias, a Escola promoveu espaços de formação, troca de experiências, mística, cuidado e organização coletiva. A programação aprofundou debates sobre classe, gênero e raça, buscando compreender como essas dimensões se articulam e atravessam a vida da classe trabalhadora e, particularmente, das mulheres camponesas.
A realidade e a organização dos sujeitos LGBTI+ também estiveram presentes na formação, fortalecendo o debate sobre diversidade sexual e de gênero dentro dos territórios e apontando para a necessidade de enfrentar a LGBTfobia como parte da construção de um projeto de sociedade livre de todas as formas de exploração, opressão e violência.
Outro eixo trabalhado foi a saúde camponesa, compreendida para além da dimensão individual e relacionada às condições de vida, trabalho, alimentação, território e cuidado. O debate contribuiu para refletir sobre o cuidado como uma responsabilidade coletiva e sua importância para a construção de relações emancipatórias e espaços organizativos.
A presença de militantes de 18 estados expressou a diversidade dos territórios que constroem o MPA e possibilitou que diferentes experiências, saberes e formas de resistência se encontrassem durante a Escola. A partir das realidades vividas em cada região, os debates buscaram compreender como as desigualdades de classe, raça e gênero e as violências contra mulheres e sujeitos LGBTI+ se manifestam nos territórios e quais respostas podem ser construídas coletivamente.
Imagem: Brenda Spinosa
Para o MPA, a emancipação das mulheres e a superação do capitalismo são lutas inseparáveis. O Feminismo Camponês e Popular parte da realidade concreta das mulheres e dos territórios para compreender que as relações de classe, gênero e raça estão articuladas e que enfrentar o patriarcado, o racismo e a LGBTfobia também faz parte da luta contra o sistema capitalista.
No campo, essas contradições se expressam na divisão sexual do trabalho, na sobrecarga das tarefas domésticas e de cuidado, nas diferentes formas de violência e na invisibilização do papel das mulheres na produção de alimentos, na agroecologia, na preservação das sementes, na defesa dos territórios e na construção da soberania alimentar.
Fortalecer a autonomia e o protagonismo político das mulheres camponesas significa, portanto, fortalecer o campesinato e sua capacidade de enfrentar o modelo do agronegócio, que concentra terra e riqueza e ameaça os territórios, a biodiversidade e os modos de vida camponeses.
A 6ª Escola Feminista contou também com a Ciranda Camponesa, espaço político-pedagógico construído para as infâncias também participarem da formação. Mais do que um espaço de cuidado, a Ciranda integra a concepção formativa do Movimento, reconhecendo as crianças como sujeitos que também participam da vida coletiva e da organização camponesa.
Durante a Escola, as crianças participaram de diferentes atividades educativas, lúdicas e culturais, construídas a partir de suas realidades e linguagens, em confluência com os temas e metodologia da Escola Feminista. Por meio de brincadeiras, momentos de criação, convivência e aprendizado coletivo, a Ciranda possibilitou que elas também vivenciassem, à sua maneira, os sentidos da organização, da identidade e da vida camponesa.
Imagem: Brenda Spinosa
A construção desse espaço também reafirma uma dimensão fundamental do Feminismo Camponês e Popular: o cuidado como responsabilidade coletiva. A Ciranda contribui para questionar a responsabilização individual, e especialmente das mulheres, pelo trabalho de cuidado e aponta para outras formas de construir coletivamente a participação e a vida dentro e fora do Movimento.
O encontro reafirmou que construir o Feminismo Camponês e Popular é fortalecer a organização da classe trabalhadora e avançar na construção de um projeto popular para o campo e para o Brasil.
Seguimos construindo caminhos de autonomia, organização e luta, porque é com o feminismo que construiremos o socialismo!
Por: Brenda Spinosa (MPA Brasil)
| Cookie | Duração | Descrição |
|---|---|---|
| cookielawinfo-checkbox-analytics | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Analytics". |
| cookielawinfo-checkbox-functional | 11 months | The cookie is set by GDPR cookie consent to record the user consent for the cookies in the category "Functional". |
| cookielawinfo-checkbox-necessary | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookies is used to store the user consent for the cookies in the category "Necessary". |
| cookielawinfo-checkbox-others | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Other. |
| cookielawinfo-checkbox-performance | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Performance". |
| viewed_cookie_policy | 11 months | The cookie is set by the GDPR Cookie Consent plugin and is used to store whether or not user has consented to the use of cookies. It does not store any personal data. |