22 de maio de 2026

Sessão solene na Câmara dos Deputados celebra 30 anos do MPA com defesa da agroecologia, soberania alimentar e homenagem a Frei Sérgio
*Texto e fotos: Paulo Miranda
Os 30 anos do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) foram celebrados em sessão solene na Câmara dos Deputados marcada por homenagens, memória política e defesa da agricultura camponesa como alternativa diante da fome, das desigualdades sociais e da crise climática.
A sessão reuniu parlamentares, representantes de movimentos sociais, delegações internacionais e integrantes do governo federal em torno da trajetória do movimento fundado em 1996.
Ao abrir a sessão, o deputado João Daniel afirmou que o plenário “ganha energia nova” quando recebe movimentos populares e destacou o papel histórico do MPA na organização da agricultura camponesa brasileira. “É uma história linda de luta”, declarou, ao homenagear Frei Sérgio Görgen, uma das principais lideranças ligadas ao movimento.

Durante a cerimônia, um vídeo institucional relembrou a origem do movimento em meio à estiagem que atingiu o Rio Grande do Sul nos anos 1990 e às políticas neoliberais do governo Fernando Henrique Cardoso. Segundo a narrativa apresentada, o MPA nasceu “do enfrentamento, da luta contra a expulsão do campo, contra a fome, o abandono e a concentração de renda e de terra”.
O documentário destacou ainda a consolidação do movimento em 22 estados brasileiros, a defesa da agroecologia e o desenvolvimento de cooperativas, sementes crioulas, agroindústrias populares e redes de solidariedade. “A agricultura camponesa não é passado, ela é presente e futuro. É ela quem alimenta o Brasil todos os dias”, afirmou um dos depoimentos exibidos no vídeo.

Atrajetória de Frei Sérgio Görgen atravessou praticamente todas as falas da sessão. Representando a Ordem Franciscana, Frei João Osmar d’Ávila lembrou o envolvimento do religioso com os movimentos sociais e resumiu sua atuação com uma frase dita durante o funeral do líder camponês: “Frei Sérgio morreu de tanto viver”, ressaltou.
Segundo Frei João Osmar, Frei Sérgio dedicou a vida “ao trabalho da igreja, ao trabalho dos movimentos sociais e da vida do povo”. O religioso relatou que, mesmo diante de ameaças sofridas em conflitos agrários, Frei Sérgio se recusava a abandonar a luta. “Ele dizia que a coisa mais triste que tinha era fazer enterro de criança que morria de fome”, afirmou.
A representante do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Adriana Menzzadri, associou a história do MPA à luta pela soberania alimentar e pela dignidade no campo. Segundo ela, o movimento ajudou a fortalecer a organização popular e a resistência camponesa nos territórios. “Nenhuma criança, nenhuma mulher, nenhum homem precisa morrer de fome”, declarou.

Adriana também ressaltou a importância da agroecologia e da preservação das sementes crioulas, defendendo o campesinato como alternativa para produção de alimentos saudáveis e proteção ambiental. “Nós somos parte importante dessa natureza”, afirmou.

Representando o governo federal, a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, afirmou que boa parte das políticas públicas reconstruídas no atual governo surgiu do diálogo com o MPA. “Falar do MPA é falar sobre soberania alimentar, alimento saudável, agroecologia e combate à fome”, disse.
Fernanda destacou programas como Pronaf B, Programa de Aquisição de Alimentos e Da Terra à Mesa, apresentados como iniciativas elaboradas em diálogo com o movimento. Segundo ela, o governo trabalha na construção de estratégias de adaptação climática voltadas à agricultura camponesa no semiárido brasileiro.
A ministra também emocionou-se ao lembrar da convivência com Frei Sérgio, a quem definiu como “uma voz da consciência”. “Alguém que não deixa você esquecer nenhum dia qual missão precisa cumprir”, afirmou.

A dimensão internacional do movimento foi destacada pela chilena Luz Francisca Rodríguez Werta, representante da Associação Nacional de Mulheres Rurais Indígenas (ANAMURI) do Chile e da Via Campesina. Em discurso em espanhol, ela afirmou que o MPA “nasceu do coração do campesinato” e se tornou referência para organizações camponesas da América Latina, África, Ásia e Europa.
Segundo Pancha Rodríguez, os compromissos assumidos pelo MPA fortalecem a luta internacional pela soberania alimentar. “O futuro é nosso apesar das ameaças”, declarou, ao defender a unidade internacional contra o avanço do fascismo e das desigualdades sociais.
Representando o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Rud Rafael classificou o MPA como um “movimento irmão” e destacou a parceria entre campo e cidade. Segundo ele, as cozinhas solidárias mantidas em periferias urbanas só existem graças à solidariedade da agricultura camponesa. “Quando chega uma doação do MPA, isso dá um novo sentido para a esperança”, afirmou.

Já Cibele Vieira, representante da Federação Única dos Petroleiros (FUP), associou a luta camponesa às disputas internacionais por recursos naturais e energia. Ela defendeu uma transição energética “justa e soberana” e criticou a influência dos Estados Unidos na política internacional.
Ao encerrar sua fala, o deputado João Daniel afirmou que homenagear Frei Sérgio significa homenagear “o povo que cuida da casa comum, que produz alimentos saudáveis e cuida das sementes como patrimônio da humanidade”. O parlamentar criticou o agronegócio, os agrotóxicos e a concentração fundiária, além de defender a solidariedade internacional entre os povos.

A deputada Érika Kokay também participou da sessão e afirmou que o Plenário precisava ser ocupado por movimentos populares para lembrar “que nós somos brasileiros e brasileiras”. Segundo ela, o MPA representa resistência diante de um modelo concentrador de terras e riquezas.
Ao longo da sessão, expressões como “Frei Sérgio presente” e “Frei Sérgio semente” foram repetidas por participantes em referência ao legado político e social do religioso.
Ainda ao longo da sessão, vários oradores condenaram a matança do povo palestino, o sequestro do presidente Maduro e de deputada Cilia Flores, o bloqueio criminoso contra Cuba e as agressões de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã e o povo iraniano.

Em seu discurso de encerramento, Anderson Amaro, coordenador nacional do MPA e da CLOC (Coordenadoria Latinoamaricana de Organizações do Campo) defendeu eleições de parlamentares comprometidos com as causas do campesinato brasileiro e a reeleição do presidente Lula, para que possamos manter a esperança e avançar por mais conquistas para todo o povo brasileiro

A cerimônia terminou sob aplausos e com os camponesas e camponesas em pé no Plenário, com palavras de ordem em defesa da agricultura camponesa, da soberania alimentar e da organização popular, tais como: “…esta luta é nossa, esta luta é do povo, é só lutando que se constrói um Brasil novo…”.
Confira a íntegra da Sessão Solene em Homenagem aos 30 Anos do MPA e em Memória do Frei Sérgio Görgen, realizada no Plenário da Câmara dos Deputados, em 14 de maio de 2026:
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