22 de maio de 2026

Petroleiros e camponeses fortalecem aliança histórica no IV Encontro Nacional do MPA
Lideranças da Federação Única dos Petroleiros (FUP) participaram ativamente da programação que se estendeu de 11 a 14 de maio em Brasília (DF)
A presença da Federação Única dos Petroleiros (FUP) no IV Encontro Nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) Frei Sérgio Görgen, realizado no Centro Comunitário Athos Bulcão na Universidade de Brasília e celebrado também em Sessão Solene na Câmara dos Deputados, reafirmou uma construção política que atravessa décadas: a aliança camponesa e operária como instrumento estratégico de defesa da soberania nacional, dos bens comuns e dos direitos do povo trabalhador.
Representando a FUP em diferentes momentos da programação, o presidente licenciado da entidade, Deyvid Bacelar, e a presidenta em exercício, Cibele Vieira, destacaram a importância histórica do MPA e a necessidade de aprofundar a unidade entre trabalhadores do campo e da cidade diante das disputas globais por energia, terra e recursos naturais.
Durante entrevista concedida na UnB, Bacelar definiu o encontro como um espaço de “reflexões importantes” e de memória das lutas populares, lembrando especialmente a trajetória de Frei Sérgio Görgen, dirigente do MPA que sempre teve muita proximidade com as lutas dos petroleiros e petroleiras.
“Tá lindo de fato o encontro. O MPA comemora 30 anos de luta e resistência por reforma agrária, soberania alimentar e soberania energética com controle popular”, afirmou.
Também ressaltou que a relação entre a FUP e o MPA não é circunstancial, mas resultado de uma caminhada construída “desde o início” das duas organizações. Segundo ele, um dos frutos mais importantes dessa trajetória conjunta é a Plataforma Operária e Camponesa da Água e Energia (POCAE), espaço que articula movimentos populares e sindicatos em defesa das riquezas nacionais.
Confira a íntegra da entrevista de David Bacelar no link:
Ao recordar nomes históricos dessa construção, como os ex-dirigentes petroleiros Moraes e Zé Maria, Bacelar destacou que a relação entre petroleiros e camponeses se sustenta no princípio da solidariedade de classe. “A FUP segue à risca o princípio do sindicato cidadão. Por conta disso há essa relação muito forte com os movimentos sociais, em especial com o MPA”, afirmou.
A memória das lutas compartilhadas apareceu como um dos elementos centrais da conversa. Bacelar relembrou a construção do projeto Raízes do Brasil, iniciado em Santa Teresa, no Rio de Janeiro, e hoje espalhado pelo Brasil afora. Também fez memória às greves petroleiras, ocupações e mobilizações nacionais nas quais militantes do MPA estiveram lado a lado com os trabalhadores da Petrobras.
“Nós sempre estivemos juntos. Vocês estiveram conosco nas greves e nós também estivemos nas lutas do campesinato”, resumiu.
A lembrança da greve petroleira de 2020, realizada durante o governo Bolsonaro, apareceu como símbolo concreto dessa unidade. Segundo Bacelar, o MPA esteve presente em uma das principais mobilizações operárias daquele período. “Foi a única categoria que fez uma greve operária forte no governo Bolsonaro. O MPA estava junto, Frei Sérgio estava junto”, recordou.
Na Sessão Solene em homenagem aos 30 anos do MPA e em Memória de Frei Sérgio, realizada no Plenário da Câmara dos Deputados, Cibele Vieira aprofundou o debate sobre o papel estratégico da aliança camponesa e operária diante da conjuntura internacional.
Em seu discurso, ela alertou para o avanço das disputas geopolíticas em torno do petróleo, da energia e dos recursos naturais, denunciando a tentativa dos Estados Unidos de impor uma “lei do mais forte” nas relações internacionais.
Ao mencionar conflitos envolvendo a Venezuela e o Oriente Médio, Cibele relacionou diretamente a disputa energética global com os desafios enfrentados pelos povos trabalhadores. Para ela, o debate sobre transição energética não pode servir de instrumento para ampliar desigualdades ou aprofundar mecanismos de dominação internacional.
Confira a íntegra do discurso de Cibele Vieira na Sessão Solene no link:
A dirigente petroleira defendeu que a transição energética precisa ser “justa e soberana”, garantindo combate à pobreza energética e respeito à soberania dos povos. Segundo ela, o tema também se conecta diretamente à disputa pela terra, afetando profundamente os trabalhadores do campo e os territórios camponeses.

Foto: Paulo Miranda
Ressaltou ainda a importância do internacionalismo presente no encontro do MPA, representado na participação de delegações estrangeiras e na necessidade de fortalecer alianças populares para além das fronteiras nacionais. Em sua avaliação, compreender a dimensão global da disputa política é fundamental para enfrentar os desafios do presente.
Ao longo do IV Encontro Nacional do MPA, a presença da FUP simbolizou mais do que uma relação institucional entre entidades. Representou uma experiência concreta de unidade entre trabalhadores do campo e da cidade, construída nas greves, ocupações, jornadas de solidariedade e na defesa comum da soberania popular.
Em tempos de ofensiva sobre os bens naturais, privatizações e reorganização da disputa mundial por energia e alimentos, MPA e FUP reafirmam que a soberania energética e alimentar só poderá ser construída a partir da organização popular e da aliança entre operários e camponeses — uma unidade forjada na luta e mantida viva pela memória de militantes como Frei Sérgio Görgen.
A programação do IV Encontro Nacional do MPA aconteceu no Centro Comunitário Athos Bulcão da Universidade de Brasília (UnB), estendeu-se pelas ruas da capital federal com uma marcha da Torre de TV até o Congresso Nacional, de 11 a 14 de maio de 2026, contando com a participação de cerca de 1.300 camponeses e camponesas vindos de 20 estados brasileiros, bem como aliados internacionalistas representantes de 20 países.
Confira a íntegra da entrevista de David Bacelar concedida ao jornalista Marcos Antonio Corbari no link:
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