13 de maio de 2026
Erica Oliveira | MPA Brasil
O terceiro dia do 4º Encontro Nacional do MPA, realizado nesta quarta-feira (13) em Brasília, foi marcado pelo debate sobre a importância estratégica do território na organização das classes populares. A mesa de estudo, intitulada “Trabalho territorial na construção estratégica do movimento”, contou com a participação de Alexander Alayo Chavez da Comuna Sueños de um Gigante. (Venezuela), Ulívio Ayala (CNA/Colômbia), Rud Rafael (MTST-RJ) e Rafaela Alves (MPA), que traçaram um diagnóstico sobre como a ocupação e a gestão do espaço são determinantes para o futuro das frentes populares.

Venezuela: o controle da produção como base da soberania
A primeira fala da mesa foi do representante venezuelano Alexander Chavez, que detalhou o modelo de organização das comunas no país. Com dados robustos, ele apresentou a escala dessa estrutura, que hoje conta com cerca de 5.300 comunas e 49 mil conselhos comunais. Para o militante, a experiência venezuelana prova que a soberania política é impossível sem a base material. “Não vai existir o poder popular sem o poder da produção. O povo precisa controlar os meios de produção: terras, indústrias e máquinas”, afirmou Alexander
Ele ainda explicou que o modelo de “Estado Comunal” permite que as comunidades gerenciem seus próprios recursos através de bancos comunais, garantindo que a agricultura e os serviços públicos atendam diretamente às necessidades locais, rompendo com a lógica do lucro privado e das transnacionais.
Colômbia: autonomia e a resistência da guarda camponesa
Dando continuidade ao painel, Ulivio Ayala, do Congresso dos Povos da Colômbia (CNA/TECAM), trouxe o relato sobre a resistência ao modelo extrativista. Ele descreveu como o Estado colombiano, especialmente após a crise de 1999, intensificou as privatizações e a repressão para facilitar a entrada de petroleiras e mineradoras em terras indígenas e camponesas.
Em resposta, o movimento consolidou a Guarda Camponesa. “Componentes do processo organizativo, para os/as quem tem a terra, temos a junta do governo campesino e a guarda interétnica campesina, como componentes fundamentais da dimensão da defesa”, relatou o dirigente. Ele citou a retomada de milhares de hectares da petroleira Occidental, onde a organização comunitária venceu a força repressiva para garantir o “Plano de Vida”, focado na produção de alimentos em vez de minérios.
MTST: Aliança Campo-Cidade e Soberania Energética
Representando o cenário urbano brasileiro, Rudy, da coordenação nacional do MTST (RJ), abordou a convergência necessária entre os trabalhadores sem-teto e os camponeses. No debate destacou as Cozinhas Solidárias como laboratórios de poder popular urbano. Segundo Rudy, a integração da alimentação saudável vinda do campesinato, da reforma agrária com tecnologias como placas fotovoltaicas e biodigestores é fundamental para garantir direitos básicos de forma independente das empresas transnacionais. “Nós, em forma de organização social estamos reafirmando todos os dias (…) que a questão da moradia é uma questão política, que a questão da alimentação é uma questão política, que a partir das cozinhas solidárias a gente a gente pode resolver o problema da fome. Eu acho que isso é um patrimônio muito grande do que a gente construiu nos últimos tempos”, pontuou.
MPA: Território como consciência revolucionária
Rafaela Alves, dirigente nacional do MPA, colaborou com a mesa abordando o tema sob a ótica da estratégia brasileira. Alves redefiniu o conceito de território, elevando-o de uma questão geográfica para uma dimensão política: “Território é muito mais do que número ou delimitação; implica na história daquele povo e na sua forma de se relacionar com a natureza”.
Alves foi enfática ao colocar o Poder Popular como a “coluna vertebral” do movimento. Ela alertou para o papel alienante do capital, que busca reduzir o trabalhador a apenas força de manobra, e defendeu a urgência da formação política: “O capital não quer cabeça pensando, quer mão para operar o seu projeto. Nós entendemos o contrário: quanto mais gente consciente ativa, melhor. Quem faz a revolução é o povo organizado.”
Sobre o trabalho de base, Rafaela reforçou que as conquistas pontuais, como crédito e moradia, devem estar casadas com a estratégia de transformação da sociedade. “A realidade do campesinato é diversa, assim como são grandes os desafios nesta conjuntura. A cada passo que a gente dá, tem um inimigo atrás. Precisamos fazer um trabalho territorial que alinhe a estratégia do MPA. Em todo território precisamos desenvolver eixos e fatores de poder popular”. Para ela, o medidor do sucesso não é apenas o número de pessoas em reuniões, mas a realidade concreta e a capacidade de defesa da própria gente.

O terceiro dia do encontro em Brasília reafirmou que o território é o espaço de disputa estratégica. Seja através das comunas venezuelanas, das guardas camponesas colombianas ou da agroecologia brasileira, o horizonte comum é a construção de um projeto popular que assegure soberania e dignidade. A atividade encerrou-se sob aplausos, com a plenária reforçando o compromisso de construir um socialismo baseado na autonomia, na produção de alimentos saudáveis e na defesa intransigente dos territórios.

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