12 de maio de 2026
Sherlen de Minas | MPA Brasil

O 4º Encontro Nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) foi marcado por um momento de profunda comoção, memória e compromisso coletivo com a trajetória de Frei Sérgio Antônio Görgen, uma das principais referências da luta camponesa e da construção de um projeto popular para o campo brasileiro.
Militante social, frade franciscano e um dos fundadores do MPA, Frei Sérgio dedicou sua vida à organização popular, à agroecologia, à reforma agrária, à soberania alimentar e à defesa da dignidade do povo trabalhador camponês. Sua caminhada esteve, portanto, diretamente ligada aos movimentos populares, sobretudo do campo.
Nascido em 29 de janeiro de 1956, no interior do Rio Grande do Sul, Frei Sérgio compreendeu desde cedo que a fé precisava caminhar junto à vida concreta do povo. Inspirado por referências como Paulo Freire, Dom Pedro Casaldáliga, Leonardo Boff e Padre Josimo, seguiu a Teologia da Libertação, uma vertente espiritual profundamente comprometida com os pobres e com as lutas sociais.
Ao longo de sua trajetória, esteve presente nas primeiras mobilizações que deram origem ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e contribuiu também com outros movimentos populares, como o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e o Movimento de Mulheres Camponesas (MMC).
Entre os depoimentos apresentados durante a homenagem estiveram o de Gilberto Carvalho, amigo pessoal de Frei Sérgio, além de dirigentes e companheiros históricos de caminhada, como Sérgio Osmar Conti e João Pedro Stedile. As falas destacaram a capacidade do frei de unir espiritualidade, formação política e organização popular, sempre ao lado dos trabalhadores e trabalhadoras do campo.
Escritor, educador popular e comunicador, Frei Sérgio também deixou uma vasta produção intelectual e militante, com livros, cartilhas e textos voltados à formação política e à organização popular. Entre os temas que mais defendeu estão a agroecologia, as sementes crioulas, o cuidado com a terra e a soberania alimentar como caminhos para um novo modelo de sociedade.
Em toda sua caminhada, Frei Sérgio foi presença viva nas comunidades camponesas, nas ocupações, nas mobilizações e nos processos de formação coletiva. Sua história permanece como memória de luta e como semente lançada no chão da organização popular.
Durante a homenagem realizada no encontro, participantes relembraram sua trajetória de luta, sua presença junto aos movimentos e sua contribuição para a formação política de gerações de militantes. O momento também destacou o legado deixado por Frei Sérgio na construção de instrumentos populares de organização, educação e transformação social.
A abertura da homenagem foi marcada pela canção Como la Cigarra, eternizada na voz de Mercedes Sosa. O trecho “tantas veces me mataron, tantas veces me morí, sin embargo estoy aquí, resucitando” emocionou os presentes e sintetizou o sentimento compartilhado por militantes, dirigentes e companheiros de caminhada: a permanência viva de Frei Sérgio na memória e na luta do povo organizado.
Em diferentes falas, dirigentes e militantes ressaltaram o compromisso do frei com os mais pobres, sua coerência política e sua capacidade de manter viva a esperança coletiva mesmo diante das dificuldades. “O Frei é sempre com os outros, ele não é sozinho”, afirmou um dos participantes, ao recordar a forma como Frei Sérgio construiu sua trajetória ao lado das comunidades camponesas e dos movimentos sociais.
Outro momento marcante da homenagem trouxe reflexões deixadas por Frei Sérgio sobre a necessidade de compreender a realidade para transformá-la. “Se a gente não conhece a realidade, suas características, não temos como transformá-la”, relembrou Stédile. Também foi destacada uma das ideias frequentemente repetidas pelo frei: “O que muda a vida de um povo é quando o povo se organiza na luta”.
As homenagens também recordaram experiências construídas coletivamente ao longo de décadas de atuação junto aos movimentos populares. Frei Osmar relembrou a convivência de mais de 30 anos com Frei Sérgio e o trabalho de plantio de árvores realizado em assentamentos e comunidades rurais. “De 2012 em diante plantamos mais de dois milhões de árvores nos assentamentos. Nós acreditamos que o cuidado é com a vida, com o meio ambiente e com tudo que respira”, destacou.
Gilberto de Carvalho enfatizou ainda que a herança política deixada por Frei Sérgio deve seguir presente “dentro dos nossos corações para que a gente lute como ele lutou pelos excluídos”. Reafirmou a necessidade de dar continuidade ao projeto popular construído pelos movimentos do campo. “Para que a gente lute não pelo poder, mas para defender a continuidade de um projeto que ainda tem muito a avançar”, afirmou.
Ao final da homenagem, foi exibido um áudio inédito gravado por Frei Sérgio como parte de uma mensagem que preparava para os 30 anos do MPA. Em tom sereno e esperançoso, ele refletia sobre a utopia a partir das inspirações de Fernando Birri e Eduardo Galeano:
“Sempre vai ter alguém que vai olhar para o que fazemos e dizer que isso é pequeno, que não faz diferença; mas eu digo que faz, faz sim, faz muita diferença. É o nosso jeito de olhar a utopia lá longe no horizonte, damos um passo de cada vez em direção a ela. E ela se afasta um passo de cada vez, para longe de nós, sempre mantendo a distância. Para que serve a utopia então, se aparentemente nunca vamos conseguir alcançá-la? Serve exatamente para isso, para nos fazer caminhar”.
A reprodução do áudio emocionou os participantes e encerrou a homenagem sob fortes aplausos e palavras de ordem. Em uníssono, o plenário reafirmou a continuidade de seu legado:
“Frei Sérgio presente! Frei Sérgio semente!”
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