18 de dezembro de 2025

MPA assume a Coordenação da Coordenadoria Latino-Americana de Organizações Rurais (CLOC-Via Campesina)
Em entrevista especial ao TV MPA, de terça-feira, dia 15 de dezembro, Anderson Amaro fala sobre os desafios de assumir tão importante e estratégica função neste momento tão conturbado para as forças de esquerda e progressistas da América Latina e Caribe.
O VIII Congresso da Coordenadoria Latino-Americana de Organizações Rurais – Via Campesina (CLOC-VC), realizado em Oaxtepec, estado de Morelos, no México, realizado entre os dias 1º e 10 de dezembro, com a participação de cerca de 400 delegadas e delegados, representantes de 21 países da América Latina e do Caribe, com um total de 96 organizações rurais, elegeu a sua nova coordenação, tendo à frente no cargo de secretário geral Anderson Amaro, o coordenador nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores.
“Diante das crises globais, construímos a Soberania Alimentar: contra o fascismo e o imperialismo, a América continua a luta”, foi o lema adotado pelo Congresso.
As atividades no âmbito do Congresso começaram em 2 de dezembro com a 1ª Assembleia da Diversidade da CLOC, seguida pela 6ª Assembleia da Juventude no dia 3 e pela 7ª Assembleia das Mulheres entre 4 e 5 de dezembro na Cidade do México.
Merecem destaque também o Segundo Congresso da Criança, um encontro para meninas e meninos que promove a organização, a conscientização sobre direitos e a formação para um mundo mais justo; e a Primeira Feira Agroecológica, para a troca de produtos e artesanato, onde foram compartilhados itens como milho, feijão e artesanato de comunidades camponesas e indígenas, promovendo um espaço para a troca de produtos diante do avanço do comércio corporativo.
Inspirando-se na memória de mais de 500 anos de resistência camponesa, negra, indígena e popular, a CLOC afirmou que o 8º Congresso busca desenvolver propostas políticas que lhes permitam disputar o futuro de seu povo, declarando: “Nosso povo não está predestinado à dependência ou à dominação”. Parte dessa história é a Revolução Mexicana, cujo legado esteve presente na abertura do Congresso por meio das palavras de Jorge Zapata González, neto de Emiliano Zapata.
Neste Congresso, mais dez organizações se juntam à CLOC-Vía Campesina, incluindo as quatro organizações anfitriãs do México: Coordinadora Nacional Plan de Ayala (CNPA), Movimiento Social por la Tierra (MST), Unidad de la Fuerza Indígena y Campesina (UFIC) e Central Independiente de Obreros Agrícolas y Campesinos José Dolores López Domínguez (CIOAC-JDLD).
A Cloc é vinculada à Via Campesina que atua há 32 anos em mais de 80 países e representa mais de 200 milhões de pequenos agricultores em todo o mundo. A formação da Via Campesina tem raízes na Cloc, que surgiu antes da Via Campesina, reunindo diversas organizações camponesas, indígenas e afrodescendentes em resistência na “Campanha Continental 500 Anos de Resistência Indígena, Negra e Popular”, eventos entre 1989-1992, em encontros na Colômbia, Guatemala e Nicarágua.
Em entrevista especial ao TV MPA, de terça-feira, dia 15 de dezembro, Anderson Amaro fala sobre os desafios de assumir tão importante e estratégica função neste momento tão conturbado para as forças de esquerda e progressistas da América Latina e Caribe.
Para ele, a CLOC é uma organização antipatriarcal, anticapitalista e antifascista e que tem o horizonte socialista como foco principal. Ele alerta sobre o avanço do fascismo e da extrema-direita na América Latina, citando exemplos recentes como Honduras, Chile e Bolívia.
E para combater essa ameaça, a mensagem propõe: fortalecer a organização e a coordenação regional, intensificar a formação e o compartilhamento de informações e manter e impulsionar as lutas sociais, adaptando-as às realidades de cada país, tendo por objetivo é fortalecer a articulação e a resistência na América Latina e Caribe.
Anderson resume a importância da Via Campesina e da Cloc na luta pelos direitos dos camponeses, com foco em agroecologia, sementes como patrimônio e produção de alimentos saudáveis. Destaca a influência mútua entre as organizações e a articulação global, exemplificada pela luta pela Declaração dos Direitos Camponeses (UNDROP) na ONU. “Essa declaração é uma ferramenta crucial para defender direitos como acesso à terra, moradia, água, biodiversidade e respeito mútuo, com foco nos camponeses, mulheres e jovens”, diz, ao enfatizar a atuação global da Via Campesina e Cloc na defesa desses direitos e na busca por um campesinato mundial fortalecido, com foco em acesso à terra e produção de alimentos saudáveis.
Em sua mensagem final, Anderson Amaro destaca a importância da unidade interna e externa, a participação em articulações continentais e a retomada de processos antes engavetados, mas que agora estão sendo conquistados. O objetivo, segundo ele, é avançar em 2026, fortalecendo a convergência de movimentos e renovando a esperança, do verbo esperançar, na construção de um mundo melhor, evitando a letargia e promovendo o “reencantamento” de nossas propostas junto ao povo brasileiro, latino-americano e caribenho.
Íntegra da entrevista no TV MPA:
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