3 de novembro de 2025

MPA participou da 3ª edição da Festa da Colheita do Arroz Agroecológico em Resina (SE)
A comunidade quilombola de Resina, em Brejão dos Negros (SE) realizou nesta sexta-feira (31) a 3ª edição da Festa da Colheita do Arroz Agroecológico. A celebração reuniu agricultores e agricultoras familiares, lideranças quilombolas, parceiros e a comunidade.
Enéas Rosa é quilombola e mora em Resina. pescador artesanal, mas quilombola do quilombo resina. Ao todo, a comunidade dele e outras quatro fazem parte do território quilombola Brejão dos Negros. Para ele, o momento representa avanço, sobretudo com o aumento da produção percebido com a colheita atual.
“Há três anos colhemos cerca de 130 toneladas. Em 2025, foram mais de 250 toneladas distribuídas no plantio em cerca de 40 hectares. Para nós é uma grande alegria comemorar isso hoje reconhecendo parceiros como a Cáritas NE3 e Cáritas de Propriá que estão conosco nesses 20 anos de luta pelo território do qual ainda não temos a decretação de posse. Reforçamos a importância da parceria com a Cáritas e com a Universidade Federal da Bahia (UFBA)”, comemorou ao lembrar das oficinas de cura e cuidado com ervas medicinais junto ao grupo de mulheres do território, uma parceria da Cáritas com a UFBA.

Ato celebrativo reuniu lideranças quilombolas e parceiros. | Foto: Allan Lusttosa
“Para nós é uma satisfação enorme caminhar junto a uma entidade dessa que é tão importante e tão responsável nessa peleja pelo clima, pela comida saudável, pelos direitos humanos. Enfim, só gratidão e que a gente permaneça nessa parceria por muitos anos”, reforçou Enéas.
Aos seus quase 76 anos, Marília dos Santos também mora em Resina e celebra a possibilidade de ter o alimento de cada dia, reconhecendo na produção do arroz a independência do território a partir de uma produção de alimento agroecológico e sem veneno. “Em outros tempos a gente passava fome, hoje temos muita alimentação graças à nossa luta. Estou bem feliz e agradecida por vivenciar essa festa linda. Vamos em frente!”, celebrou.
O coordenador da Cáritas Diocesana de Propriá (SE), Padre Isaías Nascimento, também comemorou a colheita do arroz na comunidade quilombola da Resina, na Foz do Rio São Francisco. “Esse é um momento importante para ressaltar o quanto a comunidade afro está resistindo no cultivo do arroz agroecológico. É importante para a formação da própria comunidade, no fortalecimento de seus membros. Toda essa caminhada é feita com a parceria da Cáritas Brasileira Regional Nordeste 3 e da Cáritas Diocesana de Propriá que unem esforços para que essa comunidade cresça com dignidade na produção e com a preservação da vida do povo, das águas e da terra”, afirmou.
Para o Secretário Regional da Cáritas NE 3, Jardel Nascimento, é um momento de celebração para o território quilombola Brejão dos Negros e para todos os parceiros que se somam na caminhada por uma produção agroecológica e sem veneno. “Celebrar a colheita é sempre pensar na questão da prosperidade e na fraternidade entre as comunidades, entre as pessoas. É celebrar o que foi plantado com suor e sacrifício e que está dando frutos e alimentando as famílias, além de garantir a geração de renda com a comercialização do arroz beneficiado. Tudo isso é fruto de um povo que vem de uma situação vulnerável e que a partir da luta por independência vem construindo a organização comunitária junto a instituições como a Cáritas Diocesana de Propriá e a Cáritas Brasileira Regional Nordeste 3. Também devemos celebrar a resistência desse povo e sua ousadia de sonhar e de provocar a presença de políticas públicas que ainda não chegam como se deveria na comunidade. Aquele arroz que antes só servia aos programas emergenciais, hoje é vendido para os programas do Governo Federal, tudo graças à incidências de lideranças quilombolas e do povo organizado”, avaliou.

Grupo visitou plantio de arroz nesta sexta-feira (31). | Foto: Allan Lusttosa
Maria Izaltina Silva também é quilombola e lembrou da importância de comemorar a colheita do arroz agroecológico. “É um momento muito importante, sobretudo porque contradiz aqueles que falam que quilombolas não produzem. E nós mostramos que, sim, produzimos comida de qualidade, sem veneno, como é o caso do arroz agroecológico. Estamos há 20 anos na luta pela titulação do nosso território, aguardando somente a assinatura do decreto”, destacou.
Izaltina lembrou dos problemas ambientais que o território enfrenta, como a devastação dos manguezais, onde a população quilombola vem sentindo de perto os efeitos das mudanças climáticas e destacou também a parceria com a Cáritas.
“A Cáritas que vem sempre aqui nos ajudando nessa produção, com incentivos para que a gente continue produzindo, muitas vezes fazendo o papel do estado e do município, já que as secretarias de Agricultura não chegam para ajudar as comunidades na produção do campo, na agricultura familiar”, concluiu.

O agente Cáritas Alexsandro Nascimento integrou a mesa de abertura da festa representando a Cáritas NE 3 | Foto: Allan Lusttosa.
A dirigente do MPA-SE, Elielma Barros, comemorou a fatura do arroz. “Para nós e para toda a comunidade esse é um momento muito simbólico, de resistência. A festa mostra que as comunidades estão construindo a soberania alimentar com ações concretas a partir da produção do arroz agroecológico. Vamos fazendo enfrentamento ao modelo do capital com alternativas frente às mudanças climáticas”, acrescentou.
Parceiros
Além da Cáritas de Propriá e da Cáritas Brasileira Regional Nordeste 3, entre os parceiros estavam o Movimento de Pequenos Agricultores do Estado de Sergipe (MPA-SE), Conselho da Pastoral dos Pescadores e Pescadoras (CPP), Movimento das Marisqueiras, Fórum de Povos e Comunidades Tradicionais de Sergipe, Secretaria de Estado da Assistência Social, Inclusão e Cidadania (SEASIC), Conselho de Segurança Alimentar e nutricional/SE e Conab.
Esta é uma atividade apoiada pelo Programa Global das Comunidades da Nossa América Latina, projeto desenvolvido pela Cáritas Brasileira (Regionais Nordeste de 3 e Norte 2) e Cáritas Colômbia com o apoio da Cáritas Alemanha e Ministério da Cooperação Econômica e do Desenvolvimento da Alemanha.
O projeto é realizado a partir da participação e incidência política nas comunidades tradicionais em cada país e visa melhorar a implementação dos direitos à terra e ambientais, promover a participação política das comunidades rurais e disseminar abordagens inovadoras para a adaptação às mudanças climáticas nos territórios.
Rafael Lopes – DRT/BA 4882
*Com Informações de Allan Lusttosa e Alexsandro Nascimento
Assessoria de Comunicação
Cáritas Brasileira Regional Nordeste 3

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