Lutar contra o saque aos nossos minérios e pela produção de alimentos saudáveis, aproxima organizações do campo

Foto: MPA

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O Movimento Pela Soberania Popular na Mineração-MAM-BA. Por meio deste vem agradecer ao convite dos companheiros (as) do MPA, pelo convite soberano da participação da primeira escola de formação.

O Movimento Pela Soberania Popular na Mineração- MAM surgiu no ano de 2012 no estado do Pará, e já nasce com esta pegada nacional, pois entendemos que o problema não é só local e sim nacional. O Brasil é um país minerado a mais de 300 anos. O primeiro ciclo mineral ocorreu no estado de MG, que foi a primeira veia aberta no Brasil da mineração. Os primeiros saqueios minerais foram o ouro e as pedras preciosas. Realizadas no período colonial pela Coroa portuguesa para atender o acumulo de pedras preciosas na Europa.

Além de reforça inserção econômica brasileira de forma dependente, a intensificação do saque mineral aprofundou nos conflitos sociais e impactos ambientais. Essas empresas mineradoras não estão nem ai com o povo e nem com a natureza, se importando apenas com o seu próprio enriquecimento a qualquer custo. Os capitalistas da mineração seguem tendo lucros extraordinários à custa de muita pobreza e destruição.

Como se minerar fosse algo inevitável, em qualquer lugar. E os atingidos e o meio ambiente fossem questões secundaria. O rompimento da barragem de fundão em Mariana, mostrou de uma forma cruel e trágica, como tudo está conectado que uma barragem de mineração de ferro pode causar impactos profundos a 700 Km de distância.

A dinâmica predatória que essa atividade impõe ao meio ambiente e às comunidades em seu entorno tende a provocar a perda das bases da reprodução socioeconômica dos grupos que vivem e trabalham nos locais onde os empreendimentos são instalados, causando êxodo rural obrigando os homens do campo a ocupar espaço nas periferias das cidades, essas empresas obrigam as comunidades a se tornar dependentes de uma única atividade: a mineração.

Foto: MPA

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Mineração: População Rural e Urbana

Nesse contexto o capital mineral avança a passos largos, tendo como objetivo o saque intensivo dos nossos minérios. Na contramão dessa história as populações tradicionais têm seus territórios usurpados e seus modos de vida (material e imaterial) destruídos.

Boa parte da população rural é expulsa e sendo obrigados a ocupar as periferias das cidades. As famílias que resistem e ficam em seus territórios são privadas de fazer o uso dos territórios em que historicamente viveram. Tendo como os principais impactos: casas rachadas pelas explosões, poluição sonora, poeira, contaminação dos cursos d´água, rebaixamento dos lenções freáticos, e extinção de nascentes, e a troca da agricultura cultural camponesa pela produção mineral.

Á população urbana também sofrem com os mais variados impactos, como por exemplo: falta de água potável, dependências dos municípios minerados, prostituição, aumento da criminalidade, aumento populacional, pobreza e entre outros impactos. Além ainda das ferrovias e mineroduto que atravessam as cidades causando os mais variados acidentes, colocando em risco a vida da população urbana, tudo isso em nome do desenvolvimento à custa de muito sofrimento das populações urbanas e rural.

Foto: MPA

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Escola de Formação

Sabemos a grande importância da produção agrícola em nosso país, pois os pequenos agricultores e camponeses são responsável por 70% do alimento posto a mesas dos brasileiros. E com isto valorizamos o agricultor e toda sua família que a séculos cultivam nosso solo, que é sinônimo de fartura e tradição, porém, a algum tempo vemos esta cultura sendo ameaçada e se organizar é uma das primeiras tarefas rumo a preservação da mesma. O segundo passo é organizar o povo, onde o mesmo é a voz soberana que dará o grito de libertação e ou solicitação, pois o povo mais que minguem sabem do que, e o que realmente necessitam.

A escola de formação do MPA na cidade de Capim Grosso situado no Centro Norte baiano, fora de grande importância, tendo representantes de várias organizações como, por exemplo, MAM, MAB, STR entre outras representações, um momento histórico e inesquecível onde jovens passaram a receber estudos e instruções sobre trabalho de base, conjuntura política, impactos sócios ambientais, agitação e propaganda além de ter acesso a cultura como poesias, musicas, peças e místicas, o que na outrora fora negado aos mesmos, e a escola teve o papel de inserir estes jovens no meio sócio cultural, tudo isso para que estes mencionados jovens se sintam preparados na realização do mutirão da esperança, quando os mesmo atuarão como militantes, na construção de uma nova caminhada rumo ao desenvolvimento sustentável e a resistência da população camponesa, em meio as tantas perseguições.

E com isso a Brigada Nacional de Luta Camponesa do MPA “Clodomir de Morais”, tem fundamental importância no incentivo a luta e demonstração do ciclo cultural com poesias, teatro, canções e etc. A caravana em si já é uma própria cultural, sendo composto por pessoas de diferentes estados o que dá esta mistura e torna a mesma mais atrativa, os métodos utilizada por eles é de suma importância fazendo a agitação e propaganda acontecer sobre as terras baianas, trazendo consigo a chama da revolução que devolve a esperança ao nosso povo. Trazendo uma pedagogia de luta muito importante, causando reflexões e indignação e levando alegria a qualquer que seja a comunidade que os seus componentes passam, de modo que desperte um olhar do cidadão ao atual modelo político brasileiro, e demostrando as maldade das PECs que só tira os direitos das classes operarias, camponesas e trabalhadores em geral.

O mutirão será a semente plantada no coração de cada homem e mulher do campo, que acredita em um mundo melhor, pois afinal o povo existe e insiste a lutar, pois só a luta garantirá nossos direitos.

“Quem Alimenta o Brasil, Exige Respeito”.

“Por um País Soberano e Sério, Contra o Saque dos Nossos Minérios”.

Homenagem aos Companheiros do MPA

Poeta agricultor cultivando a tradição.

O suor que escorre do rosto do camponês e cair sobre o chão

A enxada que o mesmo impunha na mão.

Seu chapéu de palha do sol a proteger.

Sua cabaça seca sem um gole d´água pra beber.

Na sua marmita apenas farinha e um pedaço de torres.

Como que está terra seca um dia aí de brota vida?

Creio que logo choverá mais uma vez.

E o camponês semeará mutirão de esperança.

Semeará paz sobre meu sertão.

Plantará nos corações das nossas crianças uma semente da tal educação.

Na madre terra semearás sementes

E não faltará em sua mesa o pão.

Colocarás alimentos na mesa de toda nação.

E se indignará com a sua atual situação,

Por quer quem alimento o Brasil, merece todo respeito e admiração!!!!!!

Aliança operaria e camponesa na arte de se fazer revolução!

(Jean Venâncio)

 

Por Jean Venâncio