Mutirão da Esperança Camponesa: do pampa, à floresta rumo ao sertão

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Manifestação realizada no dia 31/03 no RJ contra a Reforma da Previdência proposta por Temer. Foto: MPA

Com apenas alguns meses o Mutirão da Esperança Camponesa tem mostrado há que veio, movimentar com todos os rincões desse país, pois quem alimenta o Brasil exige repito, onde quer que vive.

O Mutirão é um esforço feito em conjunto, coletivo e solidário, visando alcançar um objetivo em comum. É um empenho de muitos se ajudarem para resolver um problema comum ou apoiar e dar solidariedade para alguém em necessidade, pode ser também uma ajuda entre vizinhos. Nas Comunidades Camponesas o Mutirão tem ganhado a forma nas preparações comunitárias, mobilizações e lutas.

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Atividade com lideranças no PI, realziado no dia 9/04. Foto: MPA

A palavra Mutirão vem do idioma tupi-guarani e é uma herança indígena. O povo guarani sempre praticou o Mutirão e ainda o faz. Em alguns lugares Brasil há fora, usam-se as expressões como, Puxirão, Pixurum, Batalhão para referir-se a mesma prática.

Organizado pelo Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e seus aliados, o Mutirão de Formação e Mobilização tem ido do pampa, à floresta rumo ao sertão. O Mutirão foi lançado em fevereiro deste ano em São Paulo, na oportunidade os camponeses e camponesas do MPA reunidos em Guararema assumiram o compromisso de construí-los nos Estados, assim como, as organizações e entidades que participaram deste momento. Os lançamentos estaduais do Mutirão deram-se em seguida, e as suas primeiras atividades foram realizadas no RS, PI, PR e RO, seguidos pelos demais Estados do Nordeste. Desde então, os 19 Estados onde o MPA está organizado, preparam-se para desenvolve-lo.

Em Rondônia no Norte do país, as atividades de formação e visita as lideranças ganham destaque no processo de construção do Mutirão, como destaca a camponesa e dirigente do MPA, Marilan Silva, “todos convictos com da importância do Mutirão da Esperança Camponesa, todos saindo comprometidos em contribuir em todo o processo”.

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Momento de estudo sobre o Mutirão em RO. Foto: MPA

Também de lá, só mais ao Sul do Estado, os relatos são de satisfação, “tem sido uma experiência incrível, a recepção das famílias que conseguiram compreender a necessidade do Mutirão, compareceram aos Encontros já realizados. Uma média de 30% para mais, das famílias visitas que antes não eram ativas nos grupos de base, depois de iniciarmos o mutirão, tornaram-se ativas, não apenas no grupo de base do MPA, mas também nas atividades desenvolvidas pelo Movimento”.

No Sul do país, o Mutirão da Esperança Camponesa também já revela seus frutos. Uma Plenária Estadual do Movimento no final de 2016 deu o pontapé inicial as atividades no Rio Grande do Sul, na oportunidade a mais de 300 companheiros e companheiras se fizeram presentes. Um segundo encontro, foi a Reunião de Estudo sobre Mutirão e elaboração de Metodologia, seguida da Reunião de Planejamento, elaboração de material e Roteiro prático do Mutirão, todas as etapas desenvolvidas junto as lideranças. Culminado no Encontro de Formação para a Execução e Lançamento do Mutirão, que reuniu mais de 80 militantes, aliados e parceiros urbanos. Por sequência, o lançamento oficial do mutirão e confraternização, com foco na metodologia de Trabalho de Base do Mutirão e estudo da Proposta da Reforma de Previdência do governo Temer.

Potencializado pelo Mutirão surge o Encontro e Feira de Sementes Crioulas em Seberi-RS com a participação de entorno 800 pessoas com a troca de sementes e mudas crioulas, agroecologia, comercialização da produção e debate sobre a reforma da Previdência Rural de Temer, bem como a Romaria da Terra e o Encontrão das Mulheres.

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Assembleias nos municípios no RS. Foto: MPA

Em um dos processos mais bonitos e diversificados, no Estado, segundo dirigentes do MPA-RS já são 6 os municípios visitados, 2.455 famílias visitadas no interior e aproximadamente 2.450 famílias visitadas nas cidades, 61 reuniões realizadas tanto na cidade como no campo com o envolvimento e presença de 1.827 pessoas presentes nas reuniões tanto da cidade como do campo.

No Norte, “avaliamos que vale a pena o trabalho pois estamos atingindo um público que ainda não conhece o Movimento. A mensagem foi bem aceita e que podem gerar novos frutos para o MPA”, descreve Marilan.  Em algumas regiões do Estado o Mutirão já está em sua segunda fase, “conseguimos nos organizar em grupo maior de militantes com o intuito de finalizar todo o trabalho no município de Cabixi [Rondônia] nos dias 6 e 7/04. O mais interessante é que já conseguimos inserir novas pessoas nessa segunda etapa”, descreve a dirigente do MPA.

Bons exemplos de que o Mutirão tem gerado fartos frutos, são as manifestações correspondente a Jornada Nacional de Lutas das Mulheres, realizadas na semana do Dia Internacional de Lutas, 8 de Março. O Dia 15 de março, como Dia Nacional de Paralisação Geral em todo país e a Jornada Nacional Contra a Reforma da Previdência no dia 31 Março. Certamente rumando para a Greve Geral proposta para o próximo dia 28 de abril.

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Ato no PI, durante a jornada Nacional de Lutas de 31/03. Foto: MPA

A receptividade das pessoas quando da panfletagem nas casas, nas reuniões com as autoridades, Sindicatos, Cooperativas e lideranças. A receptividade do Meios de Comunicação, em especial os com perfil Comunitário, para dialogar com a população sobre o tema, são reflexos das ações já realizadas do Mutirão em todo país.

Nesta edição demos destaque as atividades do Mutirão da Esperança Camponesa realizados em Rondônia e Rio Grande do Sul, porém em todos os 19 Estados brasileiros em que o MPA está organizado o Mutirão tem mobilizado os camponeses e camponesas do Movimento, mas também, amigos e parceiros de luta, bem como trabalhadores do campo e da cidade que até então não tinham contato com a organização. É o Mutirão da Esperança Camponesa mostra a que veio, Formação e Mobilização.

Por Comunicação MPA