Unidade dos povo para construir uma Sociedade justa e humana: essa foi a tônica da cerimônia de abertura do Encontro Continental em Montevidéu

Foto: Comunicação da Jornada Continental

Foto: Comunicação da Jornada Continental

Milhares de militantes de movimentos sociais, sindicatos e organizações populares vindos de 23 países das Américas participam nesta quinta-feira, 16 de novembro 2017, da Marcha e Ato de abertura do Encontro e da Jornada Continental pela Democracia e Contra o Neoliberalismo, em Montevideo, Uruguai. Mulheres e homens, camponeses, indígenas, sindicalistas, estudantes, ambientalistas e anti-imperialistas marcharam junto aos trabalhadores e trabalhadoras do Uruguai para dizer “Nenhum passo atrás, os povos seguiremos em Luta”. A jornada tem como eixo a luta contra o livre comércio e as corporações transnacionais, a defesa da Democracia e a integração entre os povos.

“Aqui estamos reunidos depois desta longa caminhada que tem nosso América pela liberação não somente dos governos fascistas, capitalistas, se não também na luta incansável de recuperar a identidade do nossos povos e nosso classe. Essa é a grande tarefa do movimento, Não somo Classe Média, somos Classe Trabalhadora de homens e mulheres que tem lutado incansavelmente pela defesa da Terra, da Vida, da Democracia e Contra o Capitalismo”, afirmou Francisca “Pancha” Rodrígues, da Via Campesina e da Associação Nacional de mulheres Rurais e Indígenas do Chile (Anamuri).

Saudando o povo uruguaio, Pancha recordou o compositor e companheiro Daniel Viglietti, que “se foi faz pouco tempo, porém nos deixou a tarefa de ‘desalambrar’ nosso território – as cercas que tem o Capital, o Imperialismo – e acabar com a direita que ocupa de forma fraudulenta vai ocupando o espaço que nós algum dia temos deixada vazio. Teremos que recuperar o povo, a Soberania Popular, construir a sociedade que queremos construir. E queremos uma Sociedade Socialista em nosso Continente. Por isso dizemos: Nenhum passo atrás!”.

Ela enfatizou o protagonismo fundamental das mulheres e destacou que a luta não é só contra o capitalismo, mas também contra o Patriarcado: “é uma luta que todos temos que abraçar. Com feminismo haverá Socialismo! E esse é o caminho que teremos que transitar”. Por fim, destacou que resgatar o povo cativo dos meios de comunicação – “uma arama mortal a serviço do capital” – exige unidade e o fortalecimento de nossas organizações, movimentos sociais e sindicais. “É preciso ter certeza que a luta é pela Democracia, com justiça, contra o neoliberalismo, conta o imperialismo e capitalismo. Juntos podemos avançar, afirmando os direitos dos povos e sua soberania nacional, alimentar e energética, e a soberania dos corpos e direitos das mulheres, assim como o direito a educação de nossos jovens”.

Foto: Comunicação da Jornada Continental

Foto: Comunicação da Jornada Continental

Por um Modelo Humano de Sociedade

“Viva a unidade dos povos e a construção consensuada de uma perspectiva de libertação para todos os povos do Continente e do Planeta!”, destacou Marcelo Abdala, secretário geral da Central Sindical Uruguaia, o PIT – CNT. Recordou o contexto atual, marcado por uma crise multidimensional do modelo hegemónico Capitalista, de sobreprodudção e de infraconsumo de grande parte da humanindade, de sobreacumulação do Capital. Em síntese, enumerou uma crise civilizatória na qual a circulação financeira está desconectada das necessidade humanas.

“Será a humanidade quem deverá criar todas as condições para a superação da formação social capitalista que hoje domina o mundo”, disse. Denunciou o feliche e a mentira do livre comércio, que só tem gerado mais pobreza e desigualdade, e para isso citou o estudo da ONG inglesa Oxfam: “os 1% mais rico do planeta tem mais recursos que 99% da população restante. Seus recursos cresceram 44% nos últimos 5 anos. Das 100 entidades mais poderosas, 69 são empresas transnacionais. As 10 maiores empresas transnacionais tem mais riqueza acumulada que 180 países. No ano de 2015, haviam 700 milhões de pessoas em extrema pobreza, 815 milhões padecendo do fome crônica, 22,5 milhões de refugiados”, afirmou Marcelo. “É a aberração mais grande do Capitalismo, que deve levarmos e convocarmos a unirmos por uma sociedade mais humana: 5 milhões de crinças mortas, em 2015, antes dos cinco anos por doenças curáveis e pela fome. O Capitalismo mata, condena a excluso, ao desemprego, a desocupação a populações inteiras da humanidade. Estamos aqui com a com a convicção e com o sentimento de que uma sociedade melhor, sem exploração e sem explorados; és possível, és necessária e dependerá de nossas lutas”.

Foto: Comunicação da Jornada Continental

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Unidade contra a ofensiva neoliberal e conservadora

Os golpes de Estado em Honduras, Paraguai e Brasil, o bloqueio econômico a Cuba e a Venezuela e o crescente protagonismo da direita violenta, fascista e a margem da institucionalidade em todo o Continente, são parte da reação do Capital aos avanços do povo da Latinoamérica tiveram na primeira década de este ciclo com governo progressistas.

“Fora Temer e todos os agentes do neoliberalismo mundial!” alertou Wagner Freitas, presidente da Central única dos Trabalhadores (CUT) do Brasil, que trouxe uma saudada do ex-presidnete Lula. “Brasil vive um golpe social, judicial, midiático que exige presença do companheiro o tempo inteiro para que não se anace mais esse golpe dado contra uma mulher, a presidenta Dilma, que teve 54 milhões de votos. O Brasil não tem governo, Temer não foi eleito. A plataforma que ele está pondo em prática não foi aprovada por ninguém. Duvido que alguém que dissesse que iria acabar com os direitos dos trabalhadores e vender todas as empresas estatais brasileiras ao Capital Internacional fosse eleito. Por isso é um impostor, não tem autoridade”.

Freitas argumentou que o que está vivendo o Brasil é consequência não dos erros do governo Lula e Dilma, se não os acertos, “pela ousadia de eleger vários governos na Latinoamérica que tiveram um comportamento diferente e se contrapuseram a total aceitação dos Estados Unidos no mundo inteiro”. A criação do bloco BRICS, com Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que rechaça utilizar o dólar norte-americano com parâmetro da moeda, a criação de um banco mundial e a disputa de espaço dentro da Organização Mundial do Comércio (OMC), em um claro enfrentamento ao imperialismo e o que levou aos vários países do Continente e tentativas de desestabilização.

“Ousamos, não só em afirmar que outro mundo é possível, mas por construir ela na prática. Se está criando consciência de que temos que andar de pé e que temos condições de apresentar soluções para todas, sociedades mais dignas, decentes e plurais. É uma disputa para o comando do Estado, para tomar os direitos dos trabalhadores, como fazem com a reforma trabalhista no Brasil e a tentativa de privatizar saúde e educação “, disse Freitas.

Por meio de uma mensagem de vídeo que Lula enviou, ele destacou que os governos progressistas da região, em estreita sintonia com os movimentos populares, sabem como promover grandes transformações econômicas, sociais e culturais em nosso Continente, conquistando dignidade sem precedentes para nossos povos. “Não fizemos tudo o que queríamos ou tudo o que era necessário, mas avançamos bastante no desenvolvimento compartilhado e integração da América Latina. Realizamos mudanças sem precedentes que possibilitaram sucessivas vitórias eleitorais da esquerda na região. Nosso Continente passou a falar uma só voz soberana e democrática no mundo”, disse ele.

Lula afirmou que o violento golpe contra a Democracia e a perseguição sistemática do Partido dos Trabalhadores e dos partidos esquerdistas no Brasil, o desmantelamento das políticas dos governos Kirchneristas na Argentina, o cerco brutal do povo e do governo venezuelano, os ataques Direito aos Governos do Equador, Bolívia e do Uruguai, mostram novas facetas do Neoliberalismo e do Conservadorismo que exigem forte resistência e articulação dos movimentos populares. “Nós já derrubamos uma vez o processo neoliberal e não tenho dúvidas de que vamos fazê-lo novamente”.

O Ato de Abertura encerrou com os desafios da agenda da Jornada e a convocatória para à unidade sem exclusões: na diversidade, em cada país, com a juventude, para melhorar a vida, derrotar o inimigo e avançar sempre na perspectiva de a transformação para uma sociedade que cada um contribui de acordo com sua capacidade de receber e de acordo com suas necessidades.

 

Por Comunicação da Jornada Continental

Tradução livre: Comunicação MPA