“Resistência ao Golpe de 2016”: o livro escrito durante o fato

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A presidenta Dilma Rousseff recebe um exemplar do livro assinado pelos autores. Foto Comunicação MPA

A noite desta segunda-feira, 30 de maio de 2016, foi marcada pelo Lançamento do Livro “Resistência ao Golpe de 2016”. O palco do evento foi o Memorial Darcy Ribeiro, conhecido como Beijódromo, na Universidade de Brasília (UNB).O evento contou com a presença de estudantes, professores, representantes dos movimentos sociais e populares, senadores e da Presidenta Eleita Dilma Rousseff, que foi recebida com muito carinho e alegria.

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A presidenta destaca as razões do porque é Golpe o que estamos vivendo no país. Foto Comunicação MPA

Em seu discurso, a presidenta destaca o Golpe tem dois sentidos principais, destaca Dilma: “um motivo é parar a Lava-Jato e o outro é impedir a nossa política de inclusão social. Por que agora?”, indaga ela. “Toda a crise implica em uma questão séria: não existe crise sem conflito de distribuição de riqueza”, pontou.

A presidenta afastada ainda destacou os últimos fatos Governo Interino de Michel Temer, instalado há menos de três semanas e já teve dois ministros afastados. “O segundo ministro interino se afasta. Nunca tivemos o ministro da Controladoria Geral afastado. Ele nunca deixou de fazer sua função, que é a transparência de governo. Fizemos o Portal da Transparência. Eu fiquei achando muito estranho que eles tivessem transformado a CGU em Ministério da Transparência. Primeiro pensei que era uma jogada de marketing. Mas a tentativa era tornar a transparência obscura, opaca”, afirma Dilma.

Sobre os áudios gravados por Sérgio Machado, Rousseff chama a atenção para o fato de não haver nenhuma referência aos supostos argumentos que deram embasamento ao pedido de impeachment. “As gravações têm um silêncio estarrecedor sobre o meu afastamento. Não há uma única palavra sobre os créditos suplementares ou o Plano Safra. Mas há uma farta conversa a respeito de evitar que a sangria os atinja, que aquilo que foi feito, objeto de práticas corruptas, seja desmascarado e por isso eu tenho que ser afastada”, explica Dilma.

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Dilma é recebida no evento de forma carinhosa e retribuiu da mesma forma. Foto Comunicação MPA

Comparando o Golpe de 2016 com o de 1964, a presidenta afirma: “estou vendo com outras roupas, mas é um golpe com as mesmas intenções: uma oligarquia querendo derrubar um governo popular. Há uma diferença entre o golpe de agora e o golpe de 1964. O de agora não interrompe o processo democrático, mas corrói o processo democrático, como um parasita”, disse. “Estão usando a Democracia contra ela mesma. Isso caracteriza um golpe frio”, denuncia.

A presidenta Dilma Rousseff, discursou de dentro do memorial e em tempo real, foi transmitida para o público se que encontrava no lado externo. A programação ainda contemplou uma seção autógrafos com os autores presentes e apresentações artísticas e musicais, com a participação de artistas locais integrantes do movimento “Artistas pela Democracia”.

 

A obra

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O livro foi escrito por professores e profissionais de diversas áreas. Foto Comunicação MPA

O livro “Resistência ao Golpe de 2016” foi escrito por advogados, professores, jornalistas, cientistas políticos, artistas, escritores, arquitetos, líderes de movimentos sociais, brasileiros e estrangeiros, que reuniram em 450 páginas argumentos para denunciar a quebra da institucionalidade democrática que está ocorrendo no Brasil.

O golpe no Brasil é de múltipla complexidade e precisar ser denunciado de forma multifacetada, já que não se resume apenas na destituição da Presidenta Dilma Rousseff da Presidência da República, mas, de processo de impeachment sem crime, que inclui ataques e desmonte das conquistas sociais, políticas e jurídicas fruto de lutas permanentes ao longo de mais de 30 anos desde o fim da ditadura civil-militar. Do papel do STF à atuação da mídia, das “pedaladas fiscais” aos meandros do Poder Legislativo, da função dos atores políticos internacionais aos bastidores da Lava-Jato, da crise de representatividade à ofensiva golpista contra direitos e políticas sociais, são inúmeros os recortes, ângulos e perspectivas sobre o golpe de 2016 que, em muitos aspectos, já se consumou.

 

Por Comunicação MPA com Informações da Comissão Organizadora