Para que serve o golpe? – artigo de Letícia Chimini

Lula vale a luta. Foto: Alexandre Garcia

Lula vale a luta. Foto: Alexandre Garcia

Parar nem sempre é bom, não para quem é movida a café para não relaxar nunca. Estar em constante estado de alerta para a próxima demanda de alguém, para a próxima atribuição que me for solicitada, para estar pronta para o que não é dito, não é falado, mas está ali, bem ali…esperando que alguém faça.

Esses dias de perna para cima e bem esticada (a da direita, porque a da esquerda não faria isso comigo), me deixou sem muitas opções: melhor não tomar café, pois dormindo me recupero mais rápido e ali, bem na minha frente, estão todas as informações das atividades que as mídias alternativas poderiam me passar sobre o ato de resistência do LULA, quando ele movido por não reduzir ainda mais a possibilidade de continuar com o povo, resolveu se entregar, então há resistência daquelxs que fariam qualquer coisa para não deixarem prender, de forma injusta e vil, o seu líder político. Resistiram!

Os dias que seguem a prisão do Lula, são de pura resistência e de mais etapas do golpe, o que é tido por direito, a visita de pessoas queridas que querem prestar sua solidariedade, ao Lula, é visto como privilégios: “não receberás visitas, ele disse”. Mas enganam-se, pois quanto mais avança o golpe, avolumam-se as forças justas desse país. Acompanho dia a dia o aumento do acampamento em Curitiba, onde estão bem pertinho do Lula em que todas as manhãs gritam bem alto: “Bom dia Lula”! Para que ele saiba que não está sozinho. E ele sabe que não está.
Crescem também os eventos, movimentos e atos por LULA LIVRE e penso: onde estava todo esse povo, todos esses anos? Com certeza lutando nas suas trincheiras, nas dificuldades geradas por um sistema econômico egoísta e rentista que coloca sobre a classe trabalhadora toda perversidade em prol de seus lucros trilhardários. Vejo os candidatos da esquerda a presidentx desse país unidos pela democracia, porque o Brasil Vale a Luta!

Acompanhando a articulação dxs Compas, dentro do espaço de uma universidade, espaço de reprodução da burguesia mais burra desse país, vejo estudantes que numa ou muitas cadeiras foram (fomos) humilhados pois “academia não é lugar de militância” ou ao abrirem a boca para contribuírem serem estupidamente interrompidos pois “a tua fala é panfletária”… Sim a nossa fala está nos panfletos e nossa luta está em todos os lugares em que possamos ocupar, mas é justamente pela responsabilidade que temos por essa existência que vivemos que nos colocamos para estudar, para aprimorar nosso fazer profissional, nos qualificar com teorias que nos ajudem a aprimorar a nossa práxis. A Dialética Histórico-Crítica não dói, mas é difícil para caramba e contribui para o que lutamos e por isso seguimos, para que essa sociedade seja justa para todxs e não para meia dúzia de nascidos em “família de bem”. Tá lindo demais observar que apesar de todo o sofrimento, fruto do Golpe que ainda segue, ver brotar de todos os rincões, no campo e na cidade, no canteiro de obra e na universidade, na roça e no asfalto, uma força de luta que inspira e que coletivamente segue para a vitória! Logo estarei com minhas duas pernas firmes e fortes no chão e como sempre o punho esquerdo erguido, firme como a convicção de estar do lado certo da Luta.

E para que serve um golpe então? Para semear sementes de esperanças, que com as lágrimas dxs trabalhadorxs fazem brotar uma força coletiva que se transforma em colheitas fartas de conquistas de uma vitória que não tarda e que por sua vez semearão novos sonhos e novas ideias, afinal “ideias não podem ser aprisionadas”. Seguimos companheirxs!

Por Letícia Chimini – Militante do MPA, Doutoranda em Serviço Social pela PUCRS