Lula participa da abertura do 8º Encontro Nacional do MAB, no Rio de Janeiro

Foto: Marcelo Aguilar

Foto: Marcelo Aguilar

Ex-presidente parabenizou o movimento por levantar a bandeira da soberania nacional e prometeu se mobilizar para garantir os direitos dos atingidos pelo crime em Mariana (MG).

“Eu queria começar a minha fala dando os parabéns e agradecendo a direção do MAB por ter tido a ousadia e a coragem de organizar o seu encontro com o tema tão importante para o Brasil que é a soberania, sobretudo discutindo a questão da água e energia”, disse ao microfone o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na abertura oficial do 8º Encontro Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que acontece no Terreirão do Samba, no Rio de Janeiro.

À frente de Lula, aglomeraram-se aproximadamente 3.500 atingidos por barragens vindos de 22 estados brasileiros. Nas suas costas, no palco, somaram-se dezenas de dirigentes sindicais, intelectuais, deputados e senadores. Um deles, o senador paranaense Roberto Requião (PMDB), também destacou a importância de pautar a soberania nacional nesse período de retomada das privatizações.

Foto: Joka Madruga

Foto: Joka Madruga

“Eu acho excepcional que os movimentos sociais encontrem um denominador comum, que é a defesa da soberania nacional. É a matéria-prima da unidade contra o governo entreguista. Quando o MAB acorda pra isso, ele está mostrando que se insere definitivamente, não na luta particular contra a usurpação das barragens, mas em uma luta geral pela independência e soberania do Brasil”, afirmou Requião.

Horas antes da abertura do Encontro do MAB, ocorreu o lançamento da Frente Parlamentar Mista em Defesa em Defesa da Soberania Nacional no Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, localizado também na capital carioca. Com Requião na presidência, a Frente reúne nomes como Lindbergh Farias (PT), Jandira Feghali (PCdoB) e Gleisi Hoffmann (PT), que também marcaram presença abertura do Encontro.

O ex-presidente também destacou a importância da auto-organização dos trabalhadores na atual conjuntura política. “Nesse momento é o movimento social que tem coragem de dizer pra elite brasileira: ‘se vocês não têm competência para ganhar uma eleição, se vocês não têm competência de governar esse país, deixe o povo fazer isso, porque o povo sabe fazer isso’”.

No mesmo sentido, a integrante da coordenação nacional do MAB, Ivanei Dalla Costa, exaltou a mobilização popular como única possibilidade para sair do cerco imposto por setores golpistas. “Apenas com o povo ocupando as ruas teremos alguma possibilidade de barrar os retrocessos que o capital internacional está tentando impor no nosso país. Por meio das privatizações, estão tentando sequestrar nossos rios, nossas florestas e nosso petróleo”, opinou.

Amanhã, terça-feira (2), os atingidos que participam do Encontro, além do ex-presidente Lula, se somarão a diversas categorias que integram a Plataforma Operária e Camponesa da Energia e Frente Brasil Popular no Dia de Luta Pela Soberania Nacional. Com início às 11h na sede da Eletrobras, a mobilização segue até a Petrobras, ambas localizadas no Centro do Rio de Janeiro.

Foto: Joka Madruga

Foto: Joka Madruga

Bacia do Rio Doce

Antes do evento, Lula concedeu entrevista exclusiva às equipes de comunicação do MAB e do Brasil de Fato. Na pauta, criticou a morosidade da Justiça em relação ao crime ocorrido em Mariana (MG). “A justiça, quando é feita para desapropriar o movimento, é mais rápida, quando ela é feita pra favorecer o movimento tende a retardar, porque tem muitos advogados e porque tem muitas petições. Dado concreto é que o que aconteceu lá em Mariana não pode se repetir”.

Ainda neste mês de outubro, Lula fará uma nova Caravana por 11 municípios mineiros, entre eles Governador Valadares, que teve sua distribuição de água prejudicada pelos rejeitos despejados no Rio Doce. “Eu vou passar em Governador Valadares para que a gente faça um protesto exigindo que seja apressado o julgamento e que a Vale possa ressarcir os milhares de produtores, investidores, proprietários rurais e pescadores. Para que possam readquirir as suas condições de vida, com a indenização que a Vale tem que pagar. Por isso, nós vamos fazer um evento lá. Nós vamos fazer questão de mobilizar a sociedade para recuperar a dignidade do povo, que foi perdida com a lama de Mariana”, assegurou.

Por Comunicação do 8º Encontro do MAB