Foto: Adilvane Spezia / MPA e Rede Soberania

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Pela segunda vez desde o início da greve, Zonália Santos precisou de atendimento hospitalar.

A repercussão dos atos públicos programados para esta terça-feira, 21, com a participação dos sete grevistas de fome que representam organizações e movimentos populares vinculados à Frente Brasil Popular e Via Campesina, bem como os dois grevistas que utilizam a mesma técnica de ação individualmente, em frente a Supremo Tribunal Federal, ficaram em segundo plano por conta de uma intercorrência de saúde. A grevista Zonália Santos passou mal no final do primeiro ato e precisou ser atendida inicialmente pelos médicos Ronald Wolff e Maria da Paz, que integram a Rede de Médicos e Médicas Populares e, depois, também pelos paramédicos do SAMU.

– Zonália apresentou uma hipotensão postural bastante acentuada, foi acometida por uma síncope e perdeu os sentidos -, explica Wolff. “Colocamos ela ao chão, elevamos as pernas e passamos afazer manobras para que ela recuperasse os sentidos”, acrescentou, explicando ainda que a grevista estava com o pulso filiforme (fraco), pouco propulsivo. Segundo o médico popular, com as manobras ela foi retomando os sentidos até que chegasse o atendimento pré-hospitalar móvel, a ambulância. “Quando chegaram ela já havia acordado, conseguimos pegar um acesso venoso, colocar soro e ela reagiu relativamente bem, então foi conduzida de ambulância para o hospital”.

Foto: Adilvane Spezia / MPA e Rede Soberania

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As situações de risco iminente de intercorrências de saúde junto aos grevistas têm sido alertadas pelos médicos populares que revezam-se para acompanhar os grevistas em tempo integral, desde que o movimento foi deflagrado, em 31 de julho. Embora já tenham sido alertados para os riscos, os sete seguem irredutíveis em seus propósitos e prometem ir até as últimas consequências. Dirigentes ligados ao movimento mostraram-se revoltados com a insensibilidade dos ministros do Supremo, que até o momento em sua maior parte resistem inclusive a receber os grevistas para que comuniquem suas pautas.

– A culpa dessa situação é do Supremo Tribunal Federal, que não demonstrou até agora um mínimo sinal de sensibilidade para com estes companheiros e companheiras que estão há 22 dias esperando dolorosamente para serem recebidos por um ministro, por uma ministra -, desabafou Maria Kazé, dirigente do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). Para a líder camponesa, os ministros que simbolicamente representam o terceiro poder do país tem renegado constantemente a sua obrigação de guardar, respeitar e defender a Constituição Federal. Até o momento o único ministro que recebeu pessoalmente os grevistas foi Ricardo Lewandowski, enquanto Cármen Lúcia conversou com apenas um dos sete, prometendo que atenderia o grupo, sem efetivar a agenda até o momento. “Isso além e ser um desrespeito político com estes trabalhadores, que representam o povo brasileiro é um ato desumano”, acrescentou. “A Ministra Cármen Lúcia presencia na frente do STF um fato como esse que aconteceu aqui é de indignar qualquer cidadão, qualquer brasileiro”, arrematou. Os demais dirigentes que manifestaram-se no ato fizeram eco à Kazé, apelando ao Supremo que tenha sensibilidade, acolha os grevistas, ouça suas reivindicações e deem uma resposta ao povo brasileiro, que é quem os observa neste momento.

Após receber atendimento médico no Hospital Regional Asa Norte, Zonália retornou ao Centro Cultural de Brasil, onde permanece em repouso e segue sob observação da Equipe de Saúde da Greve de Fome.

Por Comunicação da Greve de Fome

 

Fotos: Adilvane Spezia/MPA e Rede Soberania