Frei Sérgio visita Lula e sai impressionado com a força do presidente, hoje preso político em Curitiba

Foto: Ricardo Stuckert

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Na conversa Lula garantiu que não guarda qualquer sentimento de ódio, que está encarando a situação como uma provação e que cada dia se sente mais forte e preparado para voltar e fazer ainda mais pelo povo brasileiro.

Às segundas-feiras na vigília mantida em apoio ao ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, em Curitiba onde ele está detido como preso político, tem sido marcada pelas mais diversas manifestações de ordem espiritual. É o dia em que a justiça autoriza a visitação de sacerdotes religiosos para prestar solidariedade, conforto e orientação espiritual ao prisioneiro. Nessa segunda, 18, foi a vez do frei franciscano Sérgio Görgen conversar com Lula e, na saída do encontro, relatar à imprensa presente suas impressões.

– Encontrei o presidente Lula muito bem, animado, tranquilo, dizendo que não quer cultivar ódio por ninguém, muito pelo contrário só parece crescer o seu amor pelo Brasil e pelo povo brasileiro -, comentou. “Sobre a prisão, ele disse estar interpretando como uma provação”, acrescentou Görgen, frisando que na sua interpretação não apenas o ex-presidente Lula está sendo provado, mas de certa forma o povo brasileiro como um todo, por tudo o que está passando desde que as forças conservadoras subservientes ao capital estrangeiro passaram a ditar os rumos do país e destruir a nossa constituição.

Foto: Ricardo Stuckert

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Lula é um homem de fé, espiritualmente muito forte e psicologicamente está muito bem. Esse é o personagem que Frei Sérgio encontrou na visita, que afirma estar pronto para sair dali e ajudar o povo brasileiro a recuperar a dignidade. Ao se referir às dificuldades que o país atravessa e os sofrimentos que estão sendo impostos ao povo mais humilde, Lula demonstrou indignação com os rumos que estão sendo dados ao petróleo: “A Petrobrás foi criada para ajudar a desenvolver o Brasil, para fornecer combustível e gás de cozinha a preço justo para o trabalhador e para a trabalhadora, não para ser um instrumento de lucro para interesses estrangeiros”, disse ao Frei.

– O presidente Lula não admite que o povo brasileiro volte a passar fome, que sofra pela falta de trabalho, para ele está na hora do próprio povo defender o nosso país, reagir antes que eles (os golpistas) destruam tudo -, apontou o religioso, parafraseando o presidente. Entre o material que entregou a Lula, estavam itens simbólicos, tanto pela representação espiritual, quanto pela simbologia de resistência: CDs e DVDs enviados por artistas gaúchos, livros dos mais diversos segmentos, mensagens de amigos e admiradores e até cartas escritas por crianças que manifestam em sua linguagem simples e ingênua o carinho que o povo expressa por seu melhor presidente.

– Dei a ele minha bíblia, velha companheira desde as ocupações, que sempre esteve comigo nas lutas populares -, contou, fazendo referência a um período onde a democracia era uma utopia que parecia estar muito distante e os movimentos sociais surgiam como um mecanismo de organização e enfrentamento ao estado autoritário para ajudar a fundar um modelo de representação popular que hoje novamente está sendo posto em risco pelos desmandos de uma minoria que se recusa a respeitar a vontade do povo. Junto, foi entregue uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, em sua apresentação original, como foi retirada das águas do Rio Parnaíba, sem manto nem coroa, representando a busca pelas origens e a autenticidade tão necessárias para se enfrentar esses momentos. Também entregou um escapulário, item que no catolicismo representa proteção para o corpo e para o espírito, bem como a vela da solidariedade da Cáritas Brasileira.

Foto: Ricardo Stuckert

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Görgen destacou que nos últimos dias, desde que foi informado que poderia fazer a visita ao velho amigo, ter recebido centenas de manifestações dos quatro cantos do país, representando o carinho que o povo tem por Lula, que é retribuído com a preservação do moral elevado, o espírito de resistência reforçado e a certeza de que o mais importante – para Lula – é o povo viver com dignidade. “Disse a ele que nós vamos continuar mobilizando o povo, esclarecendo, informando para fazer um grande movimento popular para o tirar dessa masmorra e para que volte ao Palácio do Planalto, ao que ele me respondeu que mais que nunca é hora de uma radicalidade, hora de dizer que Brasil que nós queremos e se queremos de fato conquistar mais dignidade para o povo”, acrescentou Frei Sérgio. “Nosso momento é de tomar uma decisão, no meu ponto de vista Lula é a pessoa certa para conduzir o povo e dar um basta nisso tudo que estamos vendo de dois anos pra cá: a fome, o desemprego, a entrega do patrimônio público, as leis desrespeitadas, a constituição sendo destruída, os agricultores camponeses sendo impedidos de produzir alimento”, apontou, frisando que a resposta de Lula é afirmativa, que está pronto e disposto para voltar a liderar o povo brasileiro na reconstrução do país e na reconquista da felicidade, mas que para isso é preciso que cada um esteja também disposto a fazer a sua parte, que toda transformação positiva que se possa projetar deverá ser construída com muita participação popular.

Depois de mostrar a Sérgio o livro “Os Invencíveis”, do jornalista Airton Centeno, cujas mais de 800 páginas de texto já foram lidas quase na totalidade, Lula pediu a Sérgio para rezar juntos a oração do Pai Nosso e assim o fizeram, de mãos dadas. “Tenho confiança: Lula é a grande força motriz para a transformação desse país, ele pode estar preso ali dentro, mas a mente e o coração estão com o povo brasileiro”, finalizou.

 

Por Marcos Corbari | Jornalista | Militante do MPA