Feminicídio no Piauí alerta para o aumento da violência no campo e omissão do Estado Brasileiro

Nem uma a menos, vivas nos queremos todas! Foto: Divulgação

Nem uma a menos, vivas nos queremos todas!
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Sem dispor de nenhum tipo de apoio como Delegacia da Mulher e Casa Abrigo as pequenas cidades no Brasil tem deixado cada vez mais as mulheres expostas as diversas formas de violência e inclusive assassinatos, aumentando ainda mais os casos de feminicídio em todo país. O Piauí é o sétimo Estado do Brasil em números de feminicídio, uma quantidade grande, sem contar que o Estado foi o que mais registrou casos de feminicídio no último período, situação que só tem piorado com a omissão do Estado Brasileiro.

No Brasil, a cada 2 minutos, 5 mulheres são espancadas. A cada 11 minutos, 1 mulher é estuprada. A cada 90 minutos, 1 mulher é vítima de feminicídio. A cada 24 horas são registrados 179 relatos de agressão e 13 homicídios femininos. Os dados do Dossiê Violência contra as Mulheres.

O Piauí é o sétimo Estado do Brasil em números de feminicídio aponta estudo do Núcleo de Estudos da Violência da USP e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que ainda revela, 12 mulheres são assassinadas todos os dias no país. Sem contar que o Estado foi o que mais registrou casos de feminicídio no último período, situação que só tem piorado com a omissão do Estado Brasileiro.

No Piauí as mulheres, vítimas de violência, que chegam até a delegacia para realizar a denúncia e pedir ajuda, encontram uma delegacia que não dispõe de nenhuma segurança e profissionais mal preparados para lidar com o casos, elas acabam voltando para casa e continuando a sofrer violência, agredidas por seus companheiros e muitas vezes assassinadas, como foi o caso da companheira Roseane Silva, mãe de dois filhos pequenos, assassinada brutalmente, pelo o seu ex-marido, neste domingo, 11 de março, no município de são Julião-PI. A jovem de 27 anos já havia feito registrado da violência que vinha sofrendo, mas infelizmente acabou sendo mais uma vítima.

Há quatro anos, Iones também foi vítima de violência em seu espaço de trabalho, no município de Santo Antônio de Lisboa-PI, e assim como tantas outras, seu agressor nunca foi preso o assassino. Iones era mãe de quatros filhos, uma mulher bem informada politicamente, militante das causas populares contribuiu muita na formação dos movimentos sociais no Estado do Piauí.

Nos rincões desse Brasil, onde não há delegacia especializada, centro de referências, casa abrigo como apoio as vítimas de violência, essas mulheres continuarão sendo agredidas e assassinadas. Mesmo que as denúncias sigam sendo realizadas pelos movimentos e organizações sociais, consciente de que a mulher é um ser humano e tem direitos iguais, no trabalho, em casa, na sociedade ou onde quer que ela deseje estar.

“Nós do MPA no PI, estamos muito tristes, depois do 8 de março, onde foram realizadas ações de enfrentamento a essa sociedade machista e patriarcal que vivemos, e então uma companheira, que estava chegando agora no Movimento, com toda força, garra, ser assassinada por seu próprio companheiro, é lamentável”, afirma Sônia Costa, coordenadora do Coletivo de Mulheres do Movimento no Estado do Piauí.

A nossa luta é permanente por consciência, igualdade, e por nenhuma mulher a menos. “O MPA repudia esse ato de violência contra a Roseane, contra a tantas mulheres, nenhum minuto de silêncio, mas toda uma vida de luta, por todas essas mulheres, por todas essas mães, essas camponesas”, completa Maria Kazé da coordenação nacional do Movimento.

 

Por Comunicação MPA