“Eu vou fazer como sempre fiz na vida, vou enfrentá-los olho no olho e cada dia mais que eles me deixarem longe do povo, mais ‘Lula’ vai surgir nesse país, no meio desse povo”

Lula, carregado nos braços do povo (foto: Francisco Proner/ Farpa Fotocoletivo)

Lula, carregado nos braços do povo (foto: Francisco Proner/ Farpa Fotocoletivo)

Lula discursou ao povo, agradeceu o carinho e as ações de resistência e conclamou a que cada um que o ouvia aceite o desafio de ser um novo Lula no novo momento de resistência, mais que nunca em defesa da democracia e do futuro do país.

Uma página da história foi escrita no pronunciamento de Luís Inácio Lula da Silva hoje, 7 de abril, pouco após o meio dia, em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos em São Bernardo do Campo. A voz rouca do líder popular, metalúrgico, lutador social e ex-presidente da república em dois mandatos só foi silenciada quando se levantou a voz do povo que o cercava para enunciar a nova palavra de ordem que se repetiu incansavelmente enquanto era carregado nos braços pela multidão: “Eu sou Lula”.

Após uma celebração religiosa que relembrou o aniversário da esposa Marisa Letícia, falecida em 2017, Lula fez um pronunciamento forte, repleto de referências simbólicas e conclamando o povo a seguir na resistência, não apenas em amparo de seu líder, mas em defesa do país, da democracia e da soberania popular. “Eu vou lá para eles saberem que não tenho medo, eu vou provar minha inocência e quanto mais dias eles me deixarem lá, mais Lula vai surgir nesse país”, ressaltou ao anunciar que estava pronto a se apresentar para a Polícia Federal. “A história vai provar daqui alguns dias que quem cometeu crime não fui eu e sim o delegado que me acusou, o juiz que me condenou e o ministério público que foi leviano”, disse ao ressaltar sua confiança que em breve a justiça de fato vai ser feita.

– Eu acredito na justiça. Se não acreditasse eu não teria criado um partido político e sim proposto uma revolução -, disse a certo ponto do discurso. Mas a revolução que fez foi construída sem derramar sangue, ao contrário, propondo iniciativas de construção de justiça social, proporcionando igualdade de oportunidades, instituindo a milhões de brasileiros e brasileiras a noção real de cidadania e soberania. “A morte de um combatente não pára a revolução”, desafiou ao expressar à multidão que o acompanhava ali e aos milhões de brasileiros e brasileiras que assistiam ou ouviam a sua fala pela transmissão das inciativas de mídia cidadã e livre-comunicadores, para que defendam seus direitos e enfrentem os setores conservadores com muita energia e esperança de avançar e fazer mais.

Na hora de se despedir, o tom de emoção fez muita gente chorar. “Eu não sou mais um ser humano, eu sou uma ideia e vou continuar junto com as ideias de cada um de vocês!”, disse ao repetir o desafio de continuidade da sua luta através das ações de cada trabalhador, trabalhadora, estudante, criança ou idoso: “Não adianta tentar evitar que eu ande por esse país, porque tem milhões de Lulas para andar por mim; não adianta tentar acabar com minhas ideias porque elas já estão pairando no ar e ninguém tem como prendê-las; não adianta tentar parar meus sonhos porque quando eu parar de sonhar eles vão continuar pela cabeça e pelos sonhos de vocês; não adianta achar que tudo vai parar quando meu coração não bater mais, porque o meu coração vai continuar a bater no coração de cada um de vocês!”.

O final do ato duas sonoridades se entrelaçaram: de um lado, pelos alto-faltantes do caminhão de som os músicos entoavam veros de Chico Buarque… “Apesar de você, amanhã há de ser outro dia”; do outro, o povo que carregava o seu presidente nos ombros gritava a plena voz a nova palavra de ordem que já passou a tomar as ruas de todo o país: “Eu sou Lula… Eu sou Lula… Eu sou Lula!”.

Marcos Antonio “Lula da Silva” Corbari – Jornalista

Rede Soberania | Instituto Padre Josimo | MPA

Ouça a pintegra do discurso de Lula aqui: https://soundcloud.com/radioagenciabdf/ouca-a-integra-do-discurso-do-ex-presidente-lula-em-sbc