E o grito “Levante-se!” voltou a ser ouvido em Santa Maria

A soma de seus sorrisos e o ajuntamento de seus sonhos são a nova cara da luta social no Brasil. Foto: Coletivo de Comunicação do Levante

A soma de seus sorrisos e o ajuntamento de seus sonhos são a nova cara da luta social no Brasil. Foto: Coletivo de Comunicação do Levante

Eles são barulhentos e sorridentes. São alegres e trazem consigo a irreverência e a rebeldia que caracterizam não apenas a sua pouca idade, mas principalmente o espírito inquieto de quem quer transformar a realidade a sua volta, construir solidariedade e conquistar justiça social. A soma de seus sorrisos e o ajuntamento de seus sonhos são a nova cara da luta social no Brasil. O Levante Popular da Juventude marcou presença na 13ª Feira Latino Americana de Economia Solidária e a 24ª Feira Internacional do Cooperativismo, no fim de semana de 7 a 9 de julho, em Santa Maria (RS).

– Essa juventude não é de hoje que nos acompanha, esse grupo surge aqui e se soma aos nossos esforços de construção de economia solidária, de conquista do bem viver para todas as pessoas -, relembrou Irmã Lourdes Dill, coordenadora do evento, que concomitantemente com suas treze edições voltadas a Ecosol, acolhe o acampamento do Levante em sua programação oficial.

Essa juventude não é de hoje que nos acompanha. Foto: Coletivo de Comunicação do Levante

Essa juventude não é de hoje que nos acompanha. Foto: Coletivo de Comunicação do Levante

Os jovens brincam, se divertem, questionam, instigam, mas também trabalham e muito para que se viabilize a construção dos debates necessários. Em 2017 transformaram o espaço da escola Irmão José Otão em um fórum de debates, especialmente a partir do Encontro da Frente Territorial Estadual do Levante Popular da Juventude RS, tendo como tema central a Formação Política para a Juventude. Os participantes percorreram os corredores da feira entoando seus cantos e sonorizando o ambiente com a característica batucada, realizaram jogo de futebol com inserção de regras solidárias, compuseram atividade festiva com sonoridades próprias e efetivaram muitas ações de mística, agitação e propaganda que permearam os momentos de debate e aprendizado. Em frente ao estande da comissão organizadora, em intervenção já tradicional nas feiras de Santa Maria, fizeram até os mais velhos requebrarem os quadris até o chão lentamente, para depois saltitarem em uma explosão de alegria no grito forte a uma só voz que chamava “Levante-se!”.

Entre os três eixos que compõem a diversificação das pautas do Levante (Estudantil, Campo e Territórios), o foco central dos debates foram centrados no protagonismo do jovem presente nos espaços periféricos. “A ideia do encontro foi reunir os jovens e discutir quem é o sujeito da periferia, como esse sujeito está se organizando para participar da construção de um novo mundo e, principalmente, que aspectos devem ser contemplados, o que deve estar presente neste novo mundo”, explicou Carolina Teixeira Lima, integrante da coordenação estadual. “Todas as nossas atividades são voltadas a colocar o jovem como protagonista de sua realidade e como ele pode se movimentar para transformá-la, trazer mais solidariedade e cultivar outros valores”, acrescentou.

Registro feito durante a plenária. Foto: Coletivo de Comunicação do Levante

Registro feito durante a plenária. Foto: Coletivo de Comunicação do Levante

Dos encaminhamentos tirados nesse acampamento, fica em destaque uma ação de cidadania e visibilidade chamada “Semana Nós por Nós”, que será realizada de 7 a 15 de outubro, tendo como lema a frase: “Se de lá não fazem nada, a gente faz por aqui”. A ideia é que a atividade se estenda pelo estado onde estiverem presentes os jovens que integram o movimento, realizando intervenções para conhecimento e transformação da realidade das periferias. “Pode ser feito um sarau, atividades culturais, a limpeza de uma praça, a pintura de uma escola, por exemplo, enfim, todo tipo de ação que vai fazer diferença na comunidade”, explicou Carolina.

– Eles nos emocionam, nos provocam, nos fazem sair das nossas zonas desconforto -, explicou irmã Dill, com um grande sorriso no rosto. Na certa tinha em mente que a continuidade, não apenas do trabalho de economia solidária, mas a luta social como um todo está garantida com a chegada dessa nova geração de protagonistas.

Por Marcos Corbari Jornalista/MPA