É nuclear? Não, obrigado! – artigo de Damião Rodrigues

Foto: Divulgação

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Nos últimos anos o Governo brasileiro resolveu retomar o programa nuclear brasileiro, alem das usinas angra 1, angra 2 e angra 3 que esta em fase de construção a proposta é construir mais 4 usinas nucleares no país, sendo que duas delas no Nordeste e a região escolhida por apresentar vários fatores favoráveis a instalação é na região do Rio São Francisco, uma delas já esta com o local praticamente definido, será no município de Itacuruba Estado de Pernambuco nas margens do São Francisco a outra esta em fase de estudo e escolha da área onde já esta acontecendo algumas visitas de especialistas no assunto, mais o que se sabe é que possivelmente será construída no Estado de Sergipe, mais precisamente no Sertão Sergipano e os municípios de Poço Redondo, Porto da Folha e Gararu esta entre os municípios mais cotados para receber  esse grande projeto de central nuclear.

Ha décadas que o sertanejo vive na expectativa que se faça algo concreto para que se possam resolver os problemas históricos que vivem essa região, são inúmeras as injustiças sócias que vivem os sertanejos, até aqui não foram feitos grandes investimentos para a pratica de convívio e adaptação com a seca, até hoje milhares de camponeses não dispõe de abastecimento de água para até seu próprio consumo humano mesmo morando há poucos km do Rio São Francisco, e é com muita resistência e luta que esse povo vive todos os dias para que um dia venha de fato a ter oportunidade de romper de vez todo esse descaso social.

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Enquanto não se investe em grandes projetos de sobrevivência os sertanejos assistem de perto a real possibilidade de ser construída uma central nuclear na região, um ambicioso projeto onde existe por traz disso tudo diversos interesses empresariais e econômicos além de representar uma grandiosa ameaça ao já tão sofrido Rio São Francisco onde suas águas serão usadas para o resfriamento dos reatores da usina, voltando assim uma temperatura bastante elevada para o seu leito, exterminando de vez a pouca espécies de peixes que ainda existe, sem falar da expulsão de Camponeses e Ribeirinhos de suas terras, transformando assim de vez a vida social, cultural e ambiental da região, povo esse que há anos vem sofrendo com as péssimas heranças que a usina hidrelétrica de xingó deixou após sua conclusão e sua operação no ano de 1994.

O sertanejo jamais pudesse imaginar que um dia tivesse a triste realidade de conviver de perto com a possibilidade de um grave acidente nuclear, repetindo um lamentável filme que viveu e até hoje vive o povo de Chernobyl na Ucrânia, onde o um acidente nuclear no ano de 1987 erradicou do mapa a região deixando vários mortos e inúmeras marcas no corpo e na alma daquele povo, que mesmo 28 anos depois ainda convivem o real perigo da alta radioatividade, e quem não lembra o que aconteceu em Fukushima no Japão no ano de 2012, onde um tsunami destruiu quase que por completo uma usina nuclear que até hoje pouco se fala dos problemas radioativo que se atingiu aquela região e ao seu povo.

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A instalação de usinas nucleares no Brasil e principalmente na região do São Francisco é um tema que deve ser bastante discutido entre a sociedade, pois é um modelo energético que vem trazendo bastantes divergências entre aqueles que é contra e os que defendem esse modelo de geração de energia, principalmente no Brasil pais que apresenta condições climáticas bastante favoráveis a introdução e pratica de um modelo energético renováveis e quase 100% limpa, exemplo da energia sola e a eólica, e claro no nordeste por sua vez é uma região onde esses fatores climáticos mais favorece a esse modelo energético por ter sol e vento praticamente o ano inteiro. Portando quando se trata de projetos nessa dimensão a população sempre é colocada de fora dos debates e como de costume quase sempre não fica sabendo de nada o que está acontecendo.

Claro que de fato a região não esta nem um pouco preparada para receber um projeto com tal dimensão onde as usinas nucleares geram vários fatores que trazem preocupação para que venha a produzir energia, exemplo é o lixo nuclear que até hoje não se encontrou um local totalmente seguro para seu armazenamento e trazem consigo um alto teor de radiação por dezenas de anos e será que iremos se torna em uma futura Mariana? E nossas estradas são seguras para o transporte desse lixo? As estruturas sócias e principalmente a de saúde esta preparada para um ocasional acidente? Portanto são varias indagações que há em torno desse projeto de instalação de centrais nucleares na região deixando cada vez mais incerta a vida dos camponeses, Ribeirinhos, indígenas, quilombolas, povos tradicionais e todo sertanejo em geral que tanto tem lutado para se ter o básico de sua sobrevivência.

O que nos resta é nos organizar, puxar o debate com a população, mobilizar todo nosso povo para tentar o Maximo barrar esse absurdo projeto ameaçador a vida social, ambiental e cultural da região, e afastar de vez usinas nucleares do Brasil, uma verdadeira maquina de exterminar ser humano e meio ambiente.

 

Por Damião Rodrigues – MPA no Sergipe