Dia da Memória Camponesa: o legado de Maria Izabel e Derli Casali continuam vivos

Derli e Izabel. Fotos: Arquivos do MPA

Derli e Izabel. Fotos: Arquivos do MPA

Na semana em que celebramos o Dia da Memória Camponesa, 30 de abril, os camponeses e camponesas do MPA com muita convicção nos caminhos da resistência camponesa homenageiam Maria Izabel e Derli Casali, reafirmando a necessidade de manter a memória dos lutadores e lutadoras que dedicaram não só seu tempo, mas a vida pela organização e luta camponesa.

Há 7 anos da partida física dos dois, a mística, os ensinamento, a resistência e a rebeldia revolucionária permanecem acessos nas práticas do Movimento e na memória daqueles que conviveram com eles.

“Maria Izabel, jovem camponesa cheia de sonhos de transformação, serve até hoje de inspiração. Nos deixou a lição do compromisso com o trabalho de base, do amor ao povo, da disposição para os sacrifícios que a luta muitas vezes necessita da militância. Deixou a esperança, confiança e a inspiração revolucionaria”, recorda Rafaela Alves, camponesa sergipana e da coordenação nacional do MPA.

Fotos: Arquivos do MPA

Fotos: Arquivos do MPA

Sobre Derli, Luiz Carlos, camponês de Rondônia e integrante da coordenação nacional do MPA, relata:

– “Falar sobre Derli é fala de uma pessoa muito integra, poética, que tinha uma convicção militante de transformar o mundo a partir da realidade concreta do povo, tinha um olhar amplo, conseguia olhar o mundo a partir da simplicidade, mas com um olhar muito longe que enxergava a possibilidade de voar mais alto, de construir grandes coisas a partir do mais simples. Muito dedicado, estudioso escrevia sobre tudo, sobre Campesinato, religiosidade, a resistência do povo e sua riqueza cultural, sobre a importância da Caatinga, a convivência com o semiárido e toda importância que o Nordeste tem no âmbito nacional”.

Foto: Arquivos do MPA

Foto: Arquivos do MPA

Por sua vez, “Maria Izabel deixou muitas sementes plantadas nos solos férteis do Sertão, regados pelos sonhos de liberdade. Para as gerações futuras deixou seu exemplo de vida camponesa, de jovem convicta, dedicada a construção do movimento e da luta do povo”, conta Rafaela, que muito conviveu com Izabel.

Derli era um camarada que sempre trazia as questões para o debate. Teve grande importância para a efetivação do Coletivo Nacional de Educação do MPA, no processo de alfabetização foi um grande formador de educadores, tendo grande importância na Via Campesina e outras organizações, pois fazia questão de contruir com outros movimentos populares. Luiz recorda com clareza do companheiro:

– “A forma como ele questionada a educação tradicional, falava sempre dos alunos que iam para escola tradicional e não aprendiam nada, com o caderno embaixo do braço iam para ruas porque não estavam contentes com o que vivenciavam na escola. Ele trazia a importância do educador popular, do amor pelo que faz, do educador que entrar na história do educando para investigar seus anseios, sonhos e trazer isso para construção do conhecimento. Falava da importância da Universidade Camponesa, do método de ensino que pudesse educar o camponês a partir da sua cultura, dos seus valores da realidade concreta e vinculando isso com seus sonhos.”

Derli e Izabel tinham muita disposição em construir o Movimento, de deixar sua comunidade e ir para outros Estados construir com os debates, no trabalho de base nas comunidades. Ambos nos deixam a lição de grandes militantes do povo.

 

Por Adilvane Spezia | Jornalista, Militante do MPA e integrante do Coletivo Nacional de Comunicação do Movimento