Foto: Douglas Mansur -Celeiro de Memória.

Foto: Douglas Mansur -Celeiro de Memória.

A turma do Curso de Direito do Pronera “Elizabeth Teixeira”, chegou ao seu último semestre e nos dias 18 a 20 realizou o Seminário de encerramento, “Olhares e fazeres dos movimentos sociais na reinvenção do direito”, logo em seguida no dia 21 de julho, foi realizada a cerimônia de formatura. Com muita luta e resistência, em 5 ano e meio, 37 camponeses conseguiram ingressar na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) – Bahia, concluir os estudos e sair com o Diploma de Bacharel em Direito, no mês de julho de 2018.

O Seminário tinha como objetivo articular professores, movimentos sociais e Universidade para discutir a importância dos cursos superior do Pronera para os agricultores, camponeses, assim como, discutir as turmas de direito no âmbito deste programa nacional. Luís Carlos, representante nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) que esteve participando do seminário, bem como da formatura, abordou sobre o papel dos movimentos sociais para garantia de que camponeses acessem o curso superior, segundo ele, “o papel dos movimentos sociais é apresentar as demandas para universidade e instituições do Estado, reivindicando cursos superiores, bem como, desenhar e construir o projeto político pedagógico que permita aos camponeses entrar na universidade levando suas experiências de luta e resistências como também sistematizar o conhecimento como ferramenta cientifica e política que dê respostas as necessidades concretas onde cada estudante vivem. Deve acompanhar o processo vinculado a formação acadêmica, as propostas políticas dos movimentos e do projeto de sociedade que defende”.

Foram vários os apontamentos para a continuidade dos cursos superior aos beneficiários da Reforma Agrária, podemos destacar que em todas as mesas ficou evidente a necessidade de formar a II Turma de Direito na UEFS, assim como, a Universidade oferecer outros cursos do Pronera.  Diante da conjuntura política e econômica do desmonte e ataque aos direitos dos trabalhadores do campo, a luta para a garantia de educação para esta população marginalizada é o caminho. Portanto, há um tripé de sustentação para a aliança e unidade em torno desta bandeira: o INCRA- Pronera, a Universidade Pública e os movimentos sociais.

As reflexões sobre conclusão do curso de direito, permitiu evidenciar os desafios postos para os camponeses formados Bacharel em Direito, para Claudeilton Luís, graduado pelo Pronera, “o curso de direito realizado na UEFS é sem dúvida fruto do processo histórico coletivo de luta para inserção dos camponeses e camponesas na universidade. Nesse sentido, os desafios desses militantes advogados (as) é ter uma pratica jurídica voltada para defender os direitos da classe trabalhadora nos diferentes estados de atuação da advocacia e assessoria jurídica. Compreender que a ação em torno da defesa desses direitos perpassa necessariamente por uma visão crítica da realidade, portanto, é também tarefa o estudo permanente”.

O marco da formatura desses camponeses e camponesas se dá no momento que todos quebram o protocolo da Universidade e com a mão esquerda faz o juramento da profissão e posteriormente, com o braço erguido grita “Lula Livre e Fora Temer”.

 

Por Comunicação MPA