Foto: CNA

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Com a sala cheia, na noite desta segunda-feira, 16 de abril, camponesas do MPA e MST participaram da Sessão de Debate e Solidariedade com as Organizações Camponesas e o Povo do Brasil em Coimbra, Portugal, onde denunciam o golpe parlamentar e midiático, que hoje, 17 de abril completa dois anos. O evento foi organizado pela Confederação Nacional de Agricultores (CNA), com o apoio do Ateneu de Coimbra, Portugal.

Josineide Sousa, da Direção Nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e Ceres Hadich, da Direção Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) fazem parte do grupo de lideranças que estão viajando para o exterior e denunciando o golpe que o Brasil vive desde 2016, e, a prisão do ex-presidente Lula é tida como mais um capítulo deste golpe contra o povo.

“O Brasil vive hoje a mais séria e profunda crise democrática desde o fim da ditadura militar. O julgamento contra Lula é a expressão de uma farsa judicial, realizada por setores do sistema judiciário que fizeram parte do golpe parlamentar contra Dilma. Esses setores não fizeram um julgamento, eles fizeram política. Eles condenaram Lula sem nenhuma evidência, enquanto há evidências de corrupção de Temer, Aécio Neves e vários números à direita e não foram condenados”, explica Josineide.

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É importante que compreendamos, há um descenso da esquerda em toda América Latina que já afetou o Paraguai, Equador, Argentina, o Brasil… em cada país com suas especificidades, no Brasil, tem sido protagonizado pela mídia-judiciário e a burguesia interna corrupta.

Se olharmos para o campo, o agronegócio é um dos sujeitos mais ativos no golpe, que apoiam o fascista, aumentando a violência no campo após o golpe, aponta Ceres. Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), “novamente esse tipo de violência [assassinato] bateu recorde, e atingiu o maior número desde 2003, com 70 assassinatos (confira aqui os dados), um aumento de 15% em relação ao número de 2016”.

A conjuntura política e social que o Brasil vive ameaçam a Soberania Nacional com a privatizações da Petrobras, com a entrega do Pré-Sal, privatização do setor elétrico, da água, destruição dos direitos trabalhistas, ambientais com liberação de transgênicos e agrotóxicos e previdenciários, destaca Josineide.

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Lula hoje representa a síntese da luta dos trabalhadores, perseguido por ser o candidato ligado as camadas populares, com ampla aprovação e capaz de ganhar as eleições de qualquer candidato da direita, logo, tornou-se uma ameaça aos interesses da burguesia brasileira e da burguesia internacional, principalmente a burguesia rentista/bancária.

Os processos de luta e resistência no país não tem sido poucos, “seguimos lutando e em marcha por todo o Brasil, temos certeza que só o povo em luta é que tem a força para superar e vencer todos estes retrocessos. Temos que refazer o modelo agrícola do Brasil e nos do MPA propomos uma plataforma agrícola que chamamos de Programa Camponês para uma vida de qualidade no campo, o qual construímos a partir do Plano Camponês. Afirmamos que queremos produzir, mas também queremos educação, saúde, lazer, comercialização, alimentar o povo brasileiro com respeito ao meio ambiente”, conclui Josineide.

 

Por Comunicação MPA