Água, água, água: a luta de cinco comunidades ribeirinhas do Rio Itapicurú Açú na Bahia

Foto: Bruno Pilon/MPA

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O dia começa a clarear, o sol ainda nem despontou no horizonte e já se forma a procissão para buscar água, na sua maioria mulheres, jovens e crianças. Antes mesmo do dia acabar, novamente forma-se a procissão na busca pela água. Água para beber, água para cozinhar os alimentos, para higiene, para os animais, água para tudo. Por muito tempo essa foi a realidade das Comunidades Ribeirinhas do Rio Itapicurú Açú, chamada de Micaela, Várzea da Porta, Várzea da Rancho, Várzea Grande da Felícia e Várzea Queimada, no município de Caém, Bahia.
Outra realidade dessas comunidades também tem sido as lutas travadas para acessar a água potável e encanada, fato este que já é realidade para 94% dos brasileiros de acordo com o relatório da Unicef. As cinco comunidades ao longo dos últimos anos montaram um acampamento (2005) e interditaram uma obra que liga Pedras Altas a Piaba na Bahia, em 22 de junho de 2005, reivindicando água encanada para as comunidades camponesas. Após 123 dias de ocupação conquistaram água para as mais de 300 famílias em luta, porém as famílias camponesas sabiam que este era apenas o primeiro passo. Em seguida, veio a luta para adquirir o encanamento e tubulações, somadas aos mutirões para materializar a obra e fazer a água chegar as comunidades.

Foto: Bruno Pilon/MPA

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A organização, luta e resistência dessas cinco Comunidade Ribeirinhas do Rio Itapicurú Açú acendeu a chama de outras comunidades nos municípios de Jacobina, Capim Grosso, Quixabeira e Itiúba, todos na Bahia, que se mobilizaram ocuparam órgãos do Governo do Estado, paralisaram rodovias e conquistaram, água encanada e de qualidade para cerca de 1500 famílias camponesas, contemplando mais de 6 mil pessoas de forma direta. “Mais comunidades dos municípios na região seguem lutando para ter água encanada em suas casas”, afirma o camponês do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) na Bahia, Zé de Jesus.

A luta pela água como um direito de todos e não como uma mercadoria tem sido constante desde 2008 para as comunidades de Porção, Várzea da Pedra, Várzea Redonda, Zé da Costa, Várzea do Boi, Várzea da Farinha no município de Caém, BA que estão em luta para serem beneficiadas, neste ano (2018) a obra de construção de tubulação e encanação para abastecimento já está em andamento e lideranças do MPA faz o acompanhamento. A obra está sendo executado pela Companhia Ambiental e de Recursos Hídricos da Bahia (CERB), projeto este que é uma conquista da luta do povo organizado.

Foto: Bruno Pilon/MPA

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O acesso a água no Brasil de longas datas tem sido motivos de muitos enfrentamentos, no município de Malhadas de Pedras, por exemplo, “são 21 anos de organização e luta das famílias camponesas junto ao MPA, durante essa trajetória tivemos várias conquistas quando se trata do acesso a água, entre elas a construção de cisternas de consumo humano e produção, pequenos açudes, moradia camponesa, foram perfurados cincos poços neste ano de 2018, está realidade vem modificando de forma positiva e significativa o modo de viver no campo”, relata Evanio Oliveira.

Por Adilvane Spezia | Jornalista – MPA e Rede Soberania