A Via Campesina denuncia influência corporativa na Convenção sobre Diversidade Biológica no Canadá

Arte: Via Campesina

Arte: Via Campesina

De 2 a 7 de julho, em Montreal, será realizada a 22ª reunião do Órgão Subsidiário de Assessoramento Científico, Técnico e Tecnológico (SBSTTA, sigla em inglês) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) com o objetivo de preparar as principais decisões que serão tomadas no final de novembro pela 14ª reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP 14), a ser realizada em Sharm El-Sheikh no Egito sobre questões consideradas primordiais para o futuro do campesinato e, mais amplamente, da humanidade e do planeta.

No contexto do SBSTTA 2018, como Via Campesina, exigimos que os governos rejeitem o seguinte:

– Qualquer tentativa de disseminar organismos vivos modificados, invisíveis e não identificados, provenientes das chamadas novas técnicas de engenharia genética que podem provocar o desaparecimento completo de espécies animais ou vegetais, tal como os “impulsores genéticos”, genedrives em inglês.

– Qualquer estratégia para modificar as regras internacionais que permitem aos Estados Nacionais rejeitar plantas e animais geneticamente modificados por novas técnicas de engenharia genética.

– O livre acesso e gratuito das corporações transnacionais, às sequências genéticas de organismos vivos sob o pretexto de que se desmaterializam através de programas de computador para patentear todas as sementes, todos os animais e os microrganismos, além de medicamentos e todos os produtos industriais oriundos da biodiversidade.

Uma delegação da Via Campesina, dos vários Continentes, estará em Montreal para se opor aos interesses das corporações transnacionais e políticas públicas que elas apoiam e sua intenção de alterar os marcos legais das convenções internacionais das Organizações das Nações Unidas (ONU) a fim de saquear, roubar e destruir a biodiversidade livremente existente na terra e substituí-la por organismos sintéticos patenteados, projetados em seus laboratórios.

Camponeses, povos indígenas, pastores, pescadores e comunidades tradicionais vivem e trabalham todos os dias com a biodiversidade do planeta. E sabem que todos os seres humanos são parte dele e devem respeitar porque sua comida, sua vida e as gerações futuras dependem disso. A proteção do conhecimento dos camponeses, dos povos indígenas e comunidades tradicionais e do seu direito ao uso sustentável da biodiversidade está no centro da luta contra sua privatização e destruição.

A defesa da biodiversidade e da Mãe Terra que nos alimenta, é um elemento chave na luta pela Soberania Alimentar também – uma bandeira de luta que defende os direitos humanos acima de interesses corporativos, que buscam controlar e determinar o progresso e a aplicabilidade de qualquer (bio)tecnologia introduzida no ambiente. Preserva os direitos dos cidadãos e dos que realmente produzem de alimentos como parte integrante de qualquer decisão sobre o futuro e a resiliência do sistema alimentar global.

No Brasil, o MPA acompanha de perto esse debate. E estará em novembro, da Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP 14) no Egito, participando dessa luta global, “nós alimentamos nosso povo e construímos movimentos para mudar o mundo”, afirma Marciano Toledo da Silva, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA).

 

Para mais informações:

Geneviève Lalumière (Quebec/Canadá) – genevieve.lalumiere@gmail.com / 1 514 577 9265

Antonio Onorati (Itália) – antonio.onorati48@gmail.com / 39 340 821 9456

Alimata Traore (Mali) – alimaatou@yahoo.fr / 223 7603 0767

Marciano Toledo da Silva (Brasil) – marcianotol71@yahoo.com.br