A Agroecologia é a base da Agricultura Camponesa e da Soberania Alimentar, e deve estar dentro do debate do Modelo de Sociedade que queremos

Foto: Via Campesina

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A Via Campesina Internacional realizou entre os dias 27 a 30 de maio, o Encontro Global de Escolas e Processos de Formação em Agroecologia em Güira de Melena, Cuba.Nós a Via Campesina afirmamos que os atores da Agroecologia são os povos, isto é, os camponeses, os indígenas, os pastores, os pescadores, que por meio dela fortalecem a Soberania Alimentar e a Agricultura Camponesa diante dos ataques do Capital no Campo”, destaca, Rilma Román, do Comitê de Coordenação da Via Campesina e da Associação Nacional de Pequenos Agricultores (ANAP), organização anfitriã do Encontro Global de Escolas e Processos de Formação em Agroecologia da Via Campesina.

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A Escola Nacional Camponesa Niceto Pérez, foi a sede do evento e recebeu durante os quatro dias entorno de 100 delegados e delegados das organizações membros da Via Campesina da África, América, Europa e Ásia, que trouxeram importantes acúmulos de experiências e intercambio de diferentes regiões, cujo objetivo foi contribuir para a construção de linhas políticas comuns que revigorem o processo de formação política – técnica com uma abordagem agroecológica em nível global. Antes desta atividade, também foi realizada a reunião do Coletivo de Agroecologia, Sementes e Biodiversidade da Via Campesina, e um curso teórico-prático de Agroecologia, que incluiu visitas a propriedades agroecológicas onde se aplica o Método “Campesinx a Campesinx” desenvolvido por a ANAP nas províncias de Artemisa e Mayabeque.

Para Via Campesina a urgência política na criação de processos de formação agroecológica ocorreu por volta de 2003, devido ao alarmante ataque do modelo do agronegócio e da agricultura extensiva baseada na monocultura e no uso intensivo de agrotóxicos que ameaçava, e ainda hoje, acabar com a agricultura camponesa e a vida no planeta. “Diante deste cenário de crise, esse Encontro Global é muito importante, pois precisamos afirmar a Agroecologia como Base da Agricultura Camponesa e da Soberania Alimentar, que deve fazer parte do debate e da construção de um projeto de sociedade, e de campo, que queremos com plena soberania dos povos, comentou Itelvina Massioli do Movimento dos Sem Terra (MST) do Brasil e membra do Coletivo de Formação da Região da América do Sul.

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Hoje, escolas como a IALAs (Instituto Latino-Americano de Agroecologia) na América, a Escola Agroecológica Shashe na África, a Escola Amrithi Bhoomi na Ásia, a Rede Europeia de Intercâmbio de Conhecimento Agroecológico na Europa são exemplos de todas as experiências dentro da Via Campesina, e tem sido o resultado de esforços coletivos de organizações que ajudaram a recuperar a criatividade, o diálogo de saberes, os conhecimentos ancestrais e inovação no campo, e que constituem uma ferramenta dos povos para lutar e resistir ao Capital e ao Agronegócio.

Durante esses quatro dias os debates se concentraram em destacar os desafios do Movimento Camponês diante da conjuntura, em um contexto de retirada dos bens comum, a dominação do Capitalismo, do avanço do Imperialismo nos territórios e de opressão em que vivem os povos do mundo. Neste sentido, este evento também contribuirá para o fortalecimento da solidariedade, do internacionalismo e da Via Campesina em todos os continentes, revigorando os grupos de formação nas regiões, ressaltando o papel fundamental da juventude e das mulheres neste processo. Assim como, dentro da agenda, buscará articular ações de luta pela defesa das sementes camponesas, pois são elas o coração da Agroecologia para conquistar a Soberania Alimentar.

 

Por Comunicação da Via Campesina

Tradução Livre: Comunicação MPA