Juventude da Via Campesina de RO encera seu III Acampamento com ato de denúncia contra o Agronegócio e exige Diretas Já

A Juventude da Via Campesina de Rondônia encera seu III Acampamento Estadual com um ato de denúncia contra o agronegócio, contra a reforma da previdência e trabalhista, exigindo Diretas Já. O ato é parte da programação do III Acampamento da Juventude no Estado, mas também, faz parte da Jornada Nacional “Juventude em Luta Permanente: o Agronegócio Destrói o Meio Ambiente”.
Juventude exige Diretas Já. Foto: Adilvane Spezia/MPA

Juventude exige Diretas Já. Foto: Adilvane Spezia/MPA

Ao longo destes últimos 4 dias, 2 a 5/06, com muita música, mística e animação mais de 150 jovens indígenas, sem-terras, camponeses e atingidos por barragens reunidos na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de RO (SINTERO), na cidade de Ouro Preto do Oeste-RO, debateram sobre os impactos do agronegócio na juventude e no meio ambiente, as reformas da previdência e trabalhista, e, a luta pelas Diretas Já.

Como parte da programação desta 3ª edição do acampamento a juventude vinda de todas as regiões do Estado e representações de Mato Grosso, Pará e Santa Catarina tornam público o “Manifesto da Juventude da Via Campesina – Rondônia”, onde se colocam radicalmente contra o capital e suas formas de reprodução no campo, manifestos por meio do agronegócio, do modelo energético, como forma de saquear os bens naturais, expulsando os povos dos seus territórios, e matando os que lutam por direitos.
Confira o manifesto na integra:
Juventude da Via Campesina divulga manifesto. Foto: Adilvane Spezia/MPA

Juventude da Via Campesina divulga manifesto. Foto: Adilvane Spezia/MPA

III Acampamento da Juventude da Via Campesina Rondônia

Ouro Preto do Oeste RO, 5 de Junho de 2017

MANIFESTO DA JUVENTUDE DA VIA CAMPESINA – RONDÔNIA

Nós, 150 jovens reunidos durante os dias 2 a 5 de junho de 2017, no III Acampamento da Juventude da Via Campesina de Rondônia, de diversas regiões do estado, vivenciando um espaço político de formação cultural, social, debatemos a conjuntura atual, e nos colocamos radicalmente contra o capital e suas formas de reprodução no campo, manifestos por meio do agronegócio, do modelo energético, como forma de saquear os bens naturais, expulsando os povos dos seus territórios, e matando os que lutam por direitos.

Entendemos que a crise política é reflexo de um momento de reorganização do capital, na busca de maximização de lucros, à custa dos direitos sociais e da superexploração da natureza. A reforma trabalhista (PL 6.787/2016) e da previdência (PEC 287), a venda de terra para estrangeiros (MP 756), são a transferência dos custos dessa crise para as trabalhadoras e trabalhadores.

Na Amazônia, os lutadores e lutadoras, defensores de direitos humanos, tombam pelas mãos do capital, com a omissão, a conivência, e por vezes pelo aparato militar do Estado. Em Rondônia, os conflitos agrários explodem, enquanto camponeses, povos das águas, das florestas, indígenas e quilombolas seguem resistindo e enfrentando os impasses da luta pela terra, pois sabemos que a única forma de emancipação é o exercício da soberania sobre nossas riquezas e territórios.

Apontamos a agroecologia como o modelo de produção necessário e urgente para o campo, onde o modo de vida e reprodução do campesinato encontram solo fértil na cultura, na arte e nas tradições camponesas, como caminho para a produção de alimentos saudáveis, e livres de agrotóxicos, garantindo a permanência no campo com o acesso as tecnologias, saúde, educação, moradia, transporte, cultura, lazer e esporte.

O estágio atual da luta de classes, coloca para juventude a tarefa fundamental do trabalho de base, nas escolas, nos bairros, nas universidades, nas ocupações, e a organização e massificação das lutas populares, para a construção do Poder Popular, entendendo que nenhum governo ou forma de representação política será legitimo sem a participação direta das massas. Para isso, a Agitação e Propaganda se apresenta como instrumento de denúncia dos nossos inimigos e diálogo com a sociedade.

 Entendemos ainda, que a juventude padece de incompreensões, que até certo ponto limitaram sua participação política. É compromisso das organizações sociais, potencializar a participação da juventude e sua formação política e ideológica.

Diante disso, reafirmamos nossa militância com a construção do socialismo.

Contra o imperialismo, pela soberania popular na Amazônia!

Viva os 100 anos da Revolução Russa!

Diretas Por Direitos!

Juventude da Via Campesina de Rondônia

Comissão Pastoral da Terra – CPT

Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB

Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra – MST

Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA

Conselho Indigenista Missionaria – CIMI

Por Comunicação do III Acampamento da Via Campesina-RO